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Witzel diz que vai questionar STF sobre mortes pela polícia

Segundo o governador do Rio de Janeiro, "há uma dúvida interpretativa de alguns juristas sobre o momento em que se pode fazer a neutralização de uma pessoa com uma arma de guerra"

Publicado em 20/08/2019 às 16h55
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel . Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel . Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) usou a atuação da polícia no sequestro da ponte Rio-Niterói nesta terça-feira (20) para defender a política de "abate" de pessoas que portam fuzis.

Ele afirmou que pretende consultar o STF (Supremo Tribunal Federal) sobre em que possibilidades os policiais podem matar suspeitos de cometer um crime.

"Há uma dúvida interpretativa de alguns juristas sobre o momento em que se pode fazer a neutralização de uma pessoa com uma arma de guerra. [...] Se hoje esse foi abatido, porque os que estão de fuzil não podem ser abatidos?", disse ele.

Não é a primeira vez que um sequestrador é baleado no Rio de Janeiro. Em 2009, um atirador do

também atirou contra um sequestrador em Vila Isabel, na zona norte da capital. Ele sobreviveu ao tiro na ocasião.

O governador reconheceu que a morte do sequestrador pela polícia ocorreu numa situação distinta das operações realizadas em favelas. Mas afirmou que o objetivo da política de abate é o mesmo.

"São situações diferentes, mas, se não houvesse a imediata atuação dos atiradores de elite, teríamos que chorar sobre o caixão de várias vítimas queimadas. Onde estão morrendo as pessoas?", disse o governador.

Witzel disse ainda ver vinculação entre a ação de Willian Augusto da Silva, 20, e facções criminosas que atuam em favelas do Rio de Janeiro. O governador afirmou não haver indícios sobre essa relação, mas disse ter convicção de que indiretamente as quadrilhas influenciaram no episódio.

"O meu entendimento como estudioso, a minha convicção é que essas facções estimulam atos terroristas. Se não direta, indiretamente", afirmou ele.

De acordo com o tenente-coronel Maurílio Nunes, comandante do Bope, Silva tinha um perfil psicótico. Segundo ele, houve por duas horas uma tentativa de negociação real com o sequestrador. Após o perfil instável ter sido detectado por psicólogos da polícia, o diálogo com o suspeito se tornou tático.

"Cerca de 90% das ocorrências são resolvidas com negociação. Era uma negociação real, por algumas questões internas que foram acontecendo, com psicólogos no local, vimos que ele tinha um perfil psicótico. A partir do momento que a negociação real cessa e a negociação passa a ser tática", disse ele.

O tenente-coronel afirmou que partiu dele a autorização para que os snipers atirassem no sequestrador na primeira oportunidade que houvesse.

"Ele vinha fazendo contatos [dizendo] que queria se matar. Pediu dinheiro, se não ia matar, que queria parar o Rio de Janeiro. Estava com um perfil de surto psicótico", disse Nunes.

Witzel declarou que Silva havia espalhado garrafas PET com gasolina dentro do ônibus, além de manter um isqueiro na mão. Segundo o governador, as informações sobre o que ocorria dentro do ônibus eram passadas pelos próprios reféns, por meio de fotos enviadas por aplicativo.

O governador disse ter tido contato com alguns parentes do sequestrador, que estão sendo atendidos pela recém criada Secretaria de Vitimização. Witzel comentou ainda a cena em que sai do helicóptero comemorando o fim da operação na ponte Rio-Niterói.

"Algumas pessoas estão dizendo que eu comemorei a morte. Comemorei a vida. A população que estava ao redor estava celebrando que vidas estavam sendo poupadas. Lamento a morte do agressor, a polícia já mostrou que quer preservar a vida. Mas já tínhamos foto do interior do veículo. Ali havia gasolina. Tínhamos a noção que a qualquer momento [ele] poderia atear fogo no ônibus."

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