A Fundação Procon-SP recomendou nesta segunda-feira (11) que a Gol suspenda de imediato a operação das aeronaves da Boeing modelo 737 MAX 8. Em nota, a decisão é atribuída a acidentes de perfil semelhante em curto espaço de tempo. "O objetivo da ação é prevenir que ocorram futuros acidentes colocando em risco a vida dos usuários do transporte aéreo", afirma.
Um total de 68 companhias aéreas ao redor do mundo utilizam o 737 MAX, da Boeing, que caiu no último domingo, entre a Etiópia e o Quênia, deixando 157 mortos. De acordo com o site da fabricante, pelo menos quatro empresas na América Latina utilizam ou estão prestes a iniciar voos com a aeronave: Aeromexico, Copa Airlines, do Panamá, Aerolíneas Argentinas e a brasileira Gol.
O acidente foi o segundo em menos de seis meses envolvendo o recém-lançado Boeing 737 Max. Este era o mesmo modelo de aeronave que caiu na Indonésia em outubro, matando 189 pessoas. É apenas a segunda vez que um modelo com menos de dois anos de lançamento cai duas vezes: a outra foi em 1952.
Após o acidente, países como a China, Indonésia e Etiópia suspenderam os voos programados com as aeronaves, como medida de precaução. Outras empresas ao redor do mundo adotaram a mesma medida, como a caribenha Cayman Airways. A empresa não consta na lista do site da Boeing como operadora de voos do 737 MAX.
A única brasileira que possui o modelo em sua operação, o avião é usado pela Gol para voos mais longos, como as rotas para Miami e Orlando, nos Estados Unidos, e Quito, no Equador. Ela aposta no avião para renovar e modernizar a frota, ganhar eficiência - o modelo consome 15% menos combustível por assento- quilômetro ofertado em relação aos 737 NG - e ampliar a presença internacional.
A companhia tem 135 encomendas dos MAX 8 e 10 com a Boeing e já conta com sete aviões em operação. De acordo com o informado na última divulgação de resultados, a Gol espera terminar 2019 com 24 aeronaves MAX 8, quantidade que deve subir para 34 no encerramento de 2020.
As ações da companhia recuam no pregão desta segunda-feira (11), mesmo com a alta do Ibovespa, também influenciadas negativamente pela notícia de que a Azul vai comprar ativos da Avianca, que está em recuperação judicial.
Na China, seis companhias operam com o modelo que está temporariamente impedido de voar. Na Indonésia são duas: Garuda Indonesia e Lion Air, que esteve envolvida no acidente de seis meses atrás.
A Boeing já entregou cerca de 350 aviões 737 MAX a companhias aéreas de todo o mundo e tem encomendas de mais de 5.000. Após o acidente na Etiópia, a companhia escreveu no Twitter que estava "profundamente entristecida ao saber da morte de passageiros e tripulação" no avião. A gigante americana disse ainda que enviaria técnicos ao local do acidente para ajudar investigadores da Etiópia e dos EUA.
Confira a lista com as 68 companhias que operam com o modelo:
- AerCap;
- Aerolineas Argentinas;
- Aeromexico;
- Air Canada;
- Air China;
- Air Europa;
- Air Lease Corporation;
- Air Niugini;
- Air Peace;
- ALAFCO;
- Alaska Airlines;
- American Airlines;
- Arik Air;
- Aviation Capital Group;
- Avolon;
- Azerbaijan;
- Blue Air;
- BOC Aviation;
- CALC;
- CDB Aviation;
- China Eastern Airlines;
- China Southern Airlines;
- CIT Aerospace;
- Comair Limited;
- Copa Airlines;
- Corendon Airlines;
- Donghai Airlines;
- Eastern Air Lines;
- Enter Air;
- Ethiopian Airlines;
- flydubai;
- Garuda Indonesia;
- GE Capital Aviation Services;
- GOL Airlines;
- Hainan Airlines;
- ICBC Leasing;
- Icelandair;
- Jet Airways;
- Jetlines;
- Korean Air;
- LOT Polish Airlines;
- Lion Air;
- Malaysia Airlines;
- Mauritania Airlines;
- Neos;
- Nok Air;
- Norwegian Air Shuttle;
- Okay Airways;
- Oman Air;
- Primera Air;
- Qatar Airways;
- Ruili Airlines;
- Ryanair;
- Shandong Airlines;
- SilkAir;
- SMBC Aviation Capital;
- Southwest Airlines;
- SpiceJet;
- Sriwijaya Air;
- SunExpress;
- Travel Service;
- TUI Group;
- Turkish Airlines;
- United Airlines;
- VietJet Aviation;
- Virgin Australia;
- WestJet;
- Xiamen Airlines.