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Bilhete recebido

Padre Júlio Lancellotti sobre ameaças: 'É o ódio contra a população de rua'

A mensagem, deixada na porta da Paróquia São Miguel Arcanjo, na zona leste de São Paulo, no domingo de manhã, dizia "seu dia de reinado vai acabar, pode esperar"

Publicado em 30 de Agosto de 2023 às 05:29

Agência Estado

Publicado em 

30 ago 2023 às 05:29
O bilhete que o padre Júlio Lancellotti recebeu com ameaças no domingo, 27, expressa o ódio às pessoas em situação de rua, segmento historicamente defendido pelo religioso de 72 anos. A interpretação foi feita pelo próprio padre nesta terça-feira ao Estadão.
"É um sintoma de um ódio contra a população de rua, como diz o próprio bilhete. Eles olham para mim e veem isso. Não é o ódio por ser um padre. É o ódio por ser um padre comprometido com a população de rua. Eles sempre citam isso, falam dos direitos humanos, para me ofender", disse. "O que me causa impacto é alguém fazer deliberadamente maldade para o outro e tentar ferir o outro".
Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua
Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua Crédito: Reprodução/Instagram @padrejulio.lancellotti
A mensagem, deixada na porta da Paróquia São Miguel Arcanjo, na zona leste, no domingo de manhã, dizia "seu dia de reinado vai acabar, pode esperar". O texto diz ainda que o padre é um "defensor dos direitos dos bandidos" e que ele "usa o povo" para se "favorecer", além de chamá-lo de "petista vagabundo".
De acordo com a polícia, um idoso de 72 anos confessou ser o autor do bilhete e foi encaminhado ao 8º Distrito Policial, no Brás. Durante depoimento, ele alegou que conhecia o padre e que "não pretendia fazer, efetivamente, mal a ele". O caso foi registrado na delegacia como injúria e ameaça.
O religioso conta que apenas se entristeceu ao ler o bilhete. "Eu li, dobrei e não falei nada para ninguém. Meu primeiro sentimento foi de tristeza de ver alguém que senta, pega um papel, uma caneta, escreve, dobra, caminha até a igreja e deixa lá. Não é uma coisa impulsiva. É algo do qual você se arrepender e voltar para trás. Você pode escrever e rasgar. Pode desistir".
Depois da mensagem, o domingo foi difícil. Mas o padre conseguiu rezar todas as missas. Foi apenas nas cerimônias de batismo das 16h que ele se emocionou.
"Às quatro da tarde, eu tinha de batizar algumas crianças. E a polícia já estava lá. Eu estava muito emocionado. Tive dificuldades. Foi o carinho das pessoas que me fez ir para a frente. Na última missa, eu já sabia quem era. Nós rezamos por ele para amainar a cultura de ódio".
Júlio Lancellotti é conhecido há décadas por seu trabalho de assistência a pessoas em situação de rua. Nas redes sociais, ele denuncia casos de violência policial e de construções que restringem o uso do espaço público. A lei que proíbe esse tipo de estrutura hostil leva seu nome.
Esta não é a primeira vez que o padre é ameaçado. Em 2018, entidades de Direitos Humanos entraram com uma representação no Ministério Público depois que o padre recebeu ameaças de morte.

Homenagem

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu a Ordem do Mérito do Ministério da Justiça e Segurança Pública, no grau de Grã-Cruz, ao padre Júlio Lancellotti. Essa homenagem é agraciada a pessoas que tiveram atuações de destaque que envolvem a pasta. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 29, e carrega a assinatura do presidente e do ministro da Justiça, Flávio Dino.

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