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Tragédia em Brumadinho

Escapou de Mariana. Agora, é desaparecido em Brumadinho

Eridio Dias é funcionário de uma empresa terceirizada da Vale, e sempre viajava para outras áreas de mineração pelo Estado

Publicado em 04 de Fevereiro de 2019 às 13:01

Publicado em 

04 fev 2019 às 13:01
Eridio Dias, de 32 anos, era um dos operários que trabalhavam na barragem que rompeu em Mariana. Agora está desaparecido Crédito: Reprodução/Facebook
Uma parada para o almoço salvou a vida do soldador Eridio Dias, de 32 anos, em 2015. Ele era um dos operários que trabalhavam na barragem que rompeu em Mariana. Na época, Eridio escapou da lama que desceu de Fundão e saiu vivo da tragédia, que deixou 19 pessoas mortas. Agora, está na lista de desaparecidos de Brumadinho.
O irmão do soldador, Laércio Dias, contou ao Estado que constantemente Eridio relatava, com muita emoção, como escapou ileso. "Ele saiu para almoçar fora do local de serviço naquele dia e, quando voltou, a lama tinha tomado conta da parte baixa da mineradora, bem onde ele trabalhava."
Três anos depois, ele é uma das 205 pessoas desaparecidas na tragédia de Brumadinho. "Ele estava almoçando no refeitório quando veio aquele monte de lama e levou todo mundo", contou a tia, Luzia Aparecida Felipe, de 49 anos.
Muito abalada e sem sinais do sobrinho, Luzia diz que não há muitas esperanças de encontrá-lo com vida. "Cheguei a pensar que estava em um mato ou tivesse sido socorrido por alguém, que estivesse em alguma casa da região. Mas a ficha vem caindo com o passar dos dias", afirmou, emocionada.
"Naquela vez, ele se salvou,. Nesta, a gente acha muito difícil. Só Deus sabe", disse o irmão, que veio para Brumadinho acompanhar os trabalhos de busca dos bombeiros. Antes de chegar à cidade, ele passou pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte, onde amostras de DNA foram colhidas. "É muita dor, um sofrimento que não tem fim", comentou Laércio Dias.
Eridio é funcionário de uma empresa terceirizada da Vale, e sempre viajava para outras áreas de mineração pelo Estado. Não tinha base fixa, segundo a família. O rapaz tem uma filha de 7 anos e estava havia cerca de seis meses prestando serviços em Brumadinho. "A menina pergunta todos os dias pelo pai. Já não sabemos mais o que dizer", comentou o irmão.

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