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Rio de Janeiro

Choque nas polícias: interventor vai cobrar gestão e resultados

Não haverá ocupações de favelas e comandantes terão que cumprir metas

Publicado em 28 de Fevereiro de 2018 às 09:48

Publicado em 

28 fev 2018 às 09:48
O interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, general Walter Braga Netto, concede entrevista coletiva à imprensa e apresenta o chefe do Gabinete de Intervenção Federal, o general Mauro Sinott (Tânia Rêgo/Agência Brasil) Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Em vez de anúncio de tropas federais nas ruas, o interventor do Rio, general Walter Souza Braga Netto, defendeu nesta terça-feira (27), em sua primeira entrevista coletiva, um choque de gestão na segurança do estado. Ele afirmou que vai atacar dois principais gargalos, a falta de efetivo e o sucateamento da frota — hoje metade das viaturas da PM está parada por falta de manutenção.
O desafio de reestruturar as polícias fluminenses passa, segundo ele, principalmente pela recomposição dos quadros das corporações voltados para o policiamento, de forma a aumentar a sensação de segurança da população. Na mesma linha gerencial, o chefe da Comunicação do Comando Militar do Leste, coronel Carlos Frederico Cinelli, disse que os comandantes dos batalhões da PM serão mais cobrados e, caso não apresentem resultados, “serão substituídos”.
Ao mesmo tempo, Braga Netto falou em fortalecer as corregedorias, reforçando informações de bastidores de que o desvio de conduta de policiais é um dos focos da intervenção federal:
— Vamos tomar todas as medidas necessárias para que o bom policial seja valorizado, e o mau profissional seja penalizado — disse, acrescentando que é preciso “recuperar a credibilidade”.
Como O GLOBO revelou na segunda-feira, em cada dez denunciados por corrupção pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual, desde sua criação em 2010, dois são policiais ou ex-policiais, ou seja 20% do total.
Outro anúncio importante feito ontem foi que não estão previstas ocupações permanentes em comunidades, como já aconteceu nos complexos do Alemão e da Maré, este último entre abril de 2014 e junho de 2015. O general observou que as ações continuarão sendo pontuais e por tempo determinado, como as que já acontecem no estado no âmbito da Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Sobre o futuro das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), Braga Netto declarou que o projeto será mantido, apesar de sua equipe ter detectado a necessidade de ele passar por um “redirecionamento”.
— Eu vejo esta intervenção como uma janela de oportunidades. Nosso objetivo é reestruturar, fortalecer, apoiar logisticamente a segurança do Rio para alcançarmos os dois objetivos: reduzir a criminalidade e dar suporte à capacidade operativa da segurança do Rio, que já existe. Ela nunca deixou de existir; passou por dificuldades — afirmou o general.
Num pronunciamento curto — em que especialistas sentiram falta de menções a medidas concretas —, Braga Netto apresentou seus dois auxiliares diretos: o chefe de gabinete da intervenção, general Mauro Sinott, e o secretário de Segurança, general Richard Nunes.
A base de dados dos serviços de inteligência das polícias Civil e Militar, da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e, ainda, da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança passa a ser compartilhada.
— As inteligências sempre funcionaram e sempre trocaram informações. O que deve haver agora é uma maior agilidade. Com relação à transparência, não é preciso se preocupar, porque o sistema será transparente. O ISP (Instituto de Segurança Pública) vai continuar e aprimorar seu trabalho. Os resultados continuarão sendo divulgados. O Rio é um laboratório para o Brasil. Se será difundido o que está sendo feito aqui para o Brasil, já não cabe a mim responder — destacou Braga Netto.
Embora ele não tenha anunciado qualquer mudança na cúpula das polícias Civil e Militar do estado, o coronel Cinelli confirmou que alguns nomes estão sendo estudados para ocupar cargos nas duas instituições:
— Existem quadros muito bons nas duas polícias para uma eventual decisão de substituição, mas isso não está definido ainda.
SOLICITAÇÃO DE CEDIDOS JÁ ESTÁ EM CURSO
Outra medida já em curso, segundo o oficial, é o retorno de parte dos efetivos das polícias cedida a outros órgãos. Ontem, o estado também garantiu que hoje pagará a primeira parcela do Sistema Integrado de Metas (SIM), que contempla, com prêmios semestrais, os policiais por produtividade, ações de integração e boas práticas. Os valores atrasados são relativos a 2015. Braga Netto também adiantou que trabalhará com o orçamento do estado e verba da União que fará aportes ainda não definidos. Os salários, afirmou, serão priorizados.
No Planalto, o governo federal discute um novo decreto para ajustar as diretrizes da intervenção à criação do Ministério Extraordinário da Segurança Pública, ocupado por Raul Jungmann. Entre as medidas, estão justamente recursos destinados às ações e garantias jurídicas para as tropas federais. Além disso, como a intervenção ocorre paralelamente à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o governo também quer deixar bem delimitado os escopos de atuação de cada autoridade envolvidas em ações de segurança pública.

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