Publicado em 27 de setembro de 2023 às 06:25
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) virou réu na Justiça do Distrito Federal sob a acusação de incitação ao crime de estupro.>
A ação se refere ao episódio de 2014 em que Bolsonaro, à época deputado federal, declarou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela "não merecia" e era "muito feia".>
O caso chegou a tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal) porque Bolsonaro tinha foro especial.>
Em 2019, porém, o ministro Luiz Fux suspendeu as duas ações penais nas quais Bolsonaro era réu desde 2016 nesse mesmo caso, sob acusação de incitar o crime de estupro e de cometer injúria. Fux baseou-se na Constituição, que determina que o presidente da República só poderia ser processado por supostos crimes praticados no exercício do mandato.>
>
Naquele mesmo ano, por uma decisão judicial, o ex-presidente já havia sido obrigado a pedir desculpas a Rosário.>
"Em razão de determinação judicial, venho pedir publicamente desculpas pelas minhas falas passadas dirigidas à Deputada Federal Maria do Rosário Nunes. Naquele episódio, no calor do momento, em embate ideológico entre parlamentares, especificamente no que se refere à política de direitos humanos, relembrei fato ocorrido em 2003, em que, após ser injustamente ofendido pela congressista em questão, que me insultava, chamando-me de estuprador, retruquei afirmando que ela 'não merecia ser estuprada'", escreveu Bolsonaro à época.>
Com o fim do foro especial, os processos a que Bolsonaro respondia foram levados à primeira instância. No dia 1º de setembro, o juiz Omar Dantas Lima, da 3ª Vara Criminal de Brasília, recebeu a denúncia, transformando o ex-presidente em réu.>
"Os autos vieram conclusos para regularizar o registro do movimento de recebimento da denúncia", disse o juiz na decisão.>
Nas redes sociais, Bolsonaro reagiu à decisão. "A perseguição não para", escreveu.>
"Defendemos desde sempre punição mais severa para quem cometa esse tipo de crime e justamente quem defende o criminoso agora vira a 'vítima'. Fui insultado, me defendo e mais uma vez a ordem dos fatos é modificada para confirmar mais uma perseguição política conhecida por todos!", completou.>
Apesar de Bolsonaro ter perdido o foro com o término de seu mandato de presidente da República, o caso só foi enviado para o Tribunal de Justiça do DF em 12 de junho pelo ministro do STF Dias Toffoli. O processo foi distribuído ao juiz relator em 18 de agosto.>
Em 24 de julho, em outro processo sobre o mesmo episódio entre Bolsonaro e Rosário, mas sobre a prática do crime de injúria, o juiz Francisco Antonio Alves de Oliveira, do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), deu sentença favorável ao ex-presidente.>
Nesse processo, Oliveira avaliou que a ação deveria ser extinta pela prescrição da pretensão punitiva. Na prática, ele entendeu que o processo não poderia ir adiante porque o prazo para o início da ação era de três anos após o suposto crime levado à Justiça.>
O juiz do TJDFT disse que a queixa-crime foi apresentada em 2016, teve sua tramitação suspensa após a posse de Bolsonaro na Presidência da República e voltou a ter os prazos contados em janeiro deste ano.>
Bolsonaro acumula reveses na Justiça desde que deixou a Presidência da República.>
Em junho, ele foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que decidiu, por 5 votos a 2, tornar Bolsonaro inelegível por oito anos.>
O ex-presidente, que tem 68 anos, somente estará apto a se candidatar novamente em 2030, aos 75 anos de idade, ficando afastado portanto de três eleições até lá (sendo uma delas a nacional de 2026).>
A ação julgada no TSE teve como foco a reunião em julho de 2022 com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.>
Na ocasião, a menos de três meses da eleição, Bolsonaro fez afirmações falsas e distorcidas sobre o processo eleitoral, alegando estar se baseando em dados oficiais, além de buscar desacreditar ministros do TSE.>
O ex-presidente é ainda investigado em diferentes frentes pela Polícia Federal. Ele já foi obrigado a prestar depoimento sobre o caso das joias recebidas como presentes de autoridades estrangeiras; sobre instigação aos ataques antidemocráticos do 8 de janeiro; sobre a falsificação de carteiras de vacinação da Covid-19; e sobre um plano golpista citado pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES).>
Mais recentemente, Bolsonaro se viu ainda pressionado pela delação do tenente-coronel Mauro Cid, que afirmou à PF que o ex-presidente submeteu a militares de alta patente uma minuta de decreto para dar um golpe de Estado após o segundo turno das eleições de 2022.>
No pleito, Bolsonaro foi derrotado pelo atual presidente Lula (PT). Como ajudante de ordens de Bolsonaro, Cid foi um dos auxiliares mais próximos do ex-presidente.>
A defesa de Bolsonaro disse em nota que ele não compactuou com ações sem respaldo na lei e que vai adotar medidas judiciais contra eventuais calúnias em delação premiada, sem citar diretamente Cid.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta