Publicado em 14 de agosto de 2022 às 10:27
- Atualizado há 3 anos
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) dará início oficial à campanha pela reeleição nesta terça-feira (16) com sua equipe se dizendo otimista com a expectativa de colher impacto eleitoral com a melhora de indicadores econômicos e o pagamento de benefícios sociais recém-aprovados.>
Na primeira etapa da campanha, a estratégia será intensificar agendas nos estados do Sudeste, para buscar consolidar seu desempenho nos maiores colégios eleitorais do país, e tentar reverter a rejeição entre jovens e mulheres.>
Para isso, a campanha aposta numa maior presença da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em eventos eleitorais e em viagens.>
Em segundo lugar nas pesquisas, o presidente vinha amargando desde o início do ano más notícias, em especial no setor econômico, aumentando ainda mais a pressão no seu entorno diante da proximidade do pleito e da estagnação nas pesquisas.>
>
No último Datafolha, ele aparece com 29% das intenções de voto no primeiro turno, contra 47% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).>
Mas, na semana que antecedeu o início oficial da campanha, Bolsonaro e seus aliados tiveram um momento de alívio com a indicação de melhora em pesquisas internas. A campanha atribui a mudança especialmente à queda na inflação e no preço dos combustíveis.>
A aposta do entorno do mandatário é que ele deve crescer nos levantamentos nas próximas semanas, com queda na inflação e pagamentos de benefícios sociais turbinados, no valor total de R$ 41,25 bilhões, às vésperas da eleição.>
Na esteira da queda no preço dos combustíveis e da energia elétrica, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou deflação (queda de preços) de 0,68% em julho. É a menor taxa já registrada desde 1980.>
A queda, contudo, ficou concentrada especialmente em transportes e habitação. Os alimentos e as bebidas subiram 1,3% no período. A comida cara castiga sobretudo o bolso dos mais pobres, faixa do eleitorado em que o presidente tem mirado para melhorar o seu desempenho.>
No último dia 9, mais de 20 milhões de famílias passaram a receber R$ 600 do Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família. O montante será pago até o final do ano. O aumento do valor do benefício está no mesmo pacote que dobrou o valor do vale-gás e concedeu um auxílio a caminhoneiros autônomos.>
Nesse quadro, os recentes atos de leitura de cartas em defesa da democracia, que contaram com o apoio de importante parcela do empresariado, foram minimizados pela campanha de Bolsonaro. Aliados do mandatário classificaram o movimento como "petista".>
A estratégia do entorno do presidente para fazer frente às adesões aos textos pró-democracia é dobrar a aposta nos atos bolsonaristas previstos para o 7 de Setembro.>
A expectativa é conseguir no Dia da Independência uma forte adesão de apoiadores e, dessa forma, projetar força nas ruas. Bolsonaro e aliados intensificaram na última semana as convocações para as manifestações do feriado.>
As agendas de Bolsonaro nesta primeira semana ficarão focadas nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Dos mais de 156 milhões de brasileiros aptos a votar neste ano, quase 67 milhões estão na região Sudeste. >
Nesses estados, Bolsonaro pretende fazer acenos às bases de seu eleitorado: pessoas ligadas à agricultura, com participação na Festa do Peão de Barretos; e militares, com a solenidade de entrega do espadim na Aman (Academia Militar de Agulhas Negras).>
O presidente, que tenta transformar o processo eleitoral numa narrativa do bem contra o mal, vai dar início à sua campanha em Juiz de Fora (MG), onde sofreu um atentado com faca em 2018.>
Aliados consideram o local simbólico e dizem que o ato foi pensado para representar o "renascimento" do chefe do Executivo.>
Além disso, acreditam que a ida a Minas Gerais no primeiro dia de campanha reforçará a lembrança de que Bolsonaro foi vítima de um grave ataque que colocou em risco sua vida, o que consideram que ajudará a esvaziar o discurso de que o mandatário estimula a violência política. Sua passagem pela cidade mineira contará ainda com uma motociata.>
Depois, o presidente deve ter compromissos em São Paulo e Rio. No dia 19, deve voltar a Minas Gerais.>
Desta vez, porém, a previsão é que vá a Belo Horizonte para a inauguração do TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região).>
Outra decisão da campanha de Bolsonaro é manter a ofensiva para conquistar o eleitorado feminino e jovem.>
Há uma avaliação de que a abordagem de intensificar mensagens para mulheres e jovens reduziu a rejeição desses eleitores ao presidente na fase da pré-campanha.>
De olho nos jovens, a participação de Bolsonaro no podcast Flow, que durou mais de cinco horas e bateu recordes no YouTube, foi muito bem avaliada pela campanha. A ideia é que ele participe cada vez mais de entrevistas nesse formato. No sábado (13) ele já deu entrevista ao canal de YouTube de Rica Perrone, simpático ao presidente.>
Nos últimos meses, estrategistas de Bolsonaro também convenceram o presidente a focar seus discursos no público feminino. Depois disso, ele passou a destacar ações do governo voltadas às mulheres, como a entrega de títulos rurais a mulheres.>
O chefe do Executivo acumula em seu histórico uma série de declarações machistas e chegou inclusive a ser condenado por apologia ao estupro por ter afirmado que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não "merece ser estuprada".>
Além disso, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que é evangélica e muito próxima do segmento, passou a acompanhar Bolsonaro em eventos religiosos. Também compareceu em atos políticos, como na convenção do PL que oficializou Bolsonaro e Braga Netto na chapa que concorrerá à reeleição.>
Neste sábado (13), a participação do presidente na Marcha para Jesus, no Rio de Janeiro, foi marcada pelo protagonismo de Michelle, que pulou, fez coreografias ao som de canções evangélicas, mandou beijos para a plateia e puxou uma oração.>
No palco montado no sambódromo, ela foi recebida com gritos de "Michelle" pelo público e, em sua fala, prometeu "trazer a presença do Senhor Jesus" para o governo.>
Já em clima de campanha, na última sexta-feira (12), o mandatário deixou o expediente no Palácio do Planalto mais cedo para gravar inserções com candidatos em Brasília.>
Ele ficou mais de três horas na produtora contratada pelo PL e gravou com dezenas de aliados que concorrerão à Câmara, ao Senado e ao governo.>
Estiveram lá, por exemplo, Vitor Hugo (PL), candidato a governador de Goiás, e Hamilton Mourão (Republicanos), atual vice-presidente que disputa uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta