Publicado em 20 de março de 2024 às 05:33
Com despedida marcada para esta quarta-feira (20), o verão dá lugar ao outono com previsões de temperatura acima da média em grande parte do Brasil, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).>
A estimativa de abril a junho, produzida junto com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), indica que as anomalias de temperatura podem ficar 1°C acima da média em parte do Sudeste, em praticamente todo o Norte (que pode chegar a 2°C) e Centro-Oeste e em grande parte do Nordeste.>
Ainda segundo o Inmet, este verão foi mais quente ao menos do que os três últimos, iniciados em 2022, 2021 e 2020. O balanço disponibilizado pelo órgão nesta terça (19) não tem os dados dos anos anteriores.>
Mas, afinal, quando vai esfriar? No curto prazo, no fim desta semana, segundo o coordenador substituto de operações e modelagem do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), Giovanni Dolif.>
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Isso porque já nos primeiros dias do outono, que começa à 0h06 desta quarta-feira (20), a frente fria inaugural da estação chega ao Sul e se aproxima do Sudeste. É nessas regiões que a redução de temperatura durante a estação pode ser mais acentuada.>
Outro efeito comum no começo do outono são as pancadas fortes de chuva, como as previstas para esta semana. "A força dessa frente, com ar mais frio e velocidade, causa um contraste com as massas de ar quente, gerando ventos fortes e tempestades mais violentas", afirma Dolif.>
É possível, ainda, que águas ainda aquecidas ajudem a manter o tempo mais quente e as chuvas volumosas do fim de março para depois do começo de abril, mantendo as chances de tempestades ao longo do começo do outono. Ao manter o calor nas regiões costeiras, as águas contribuem para o contraste com as frentes frias.>
Dolif lembra que alguns dos desastres decorrentes por grandes volumes de chuva aconteceram nesta época. "Tivemos o morro do Bumba, em Niterói [RJ], em 2010, chuva extrema em Ilha Grande [RJ] há cerca de três anos, com 900 milímetros.">
Já o calor pode diminuir, mas deve ficar acima da média histórica em grande parte do país, segundo o boletim de outono publicado por Inmet e Inpe.>
Nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a previsão das anomalias fica na faixa de 0,5°C a 1°C acima da média histórica. A anomalia é uma variação --positiva ou negativa-- de uma temperatura em relação à média.>
Na capital paulista, o verão foi o mais terceiro mais quente já registrado pelo Inmet, e o mais quente em dez anos, com média de 30,1°C.>
Até junho, há uma possibilidade alta (83%) de que o El Niño --caracterizado por um aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico equatorial-- perca força, segundo a Noaa (agência atmosférica e oceânica americana).>
Um dos efeitos do El Niño previstos até junho por Inmet e Inpe para a região Norte é a chuva abaixo da média, com exceção do norte de Roraima, do noroeste e do sudeste do Amazonas e do oeste do Acre. Já o Nordeste deve ter chuvas abaixo da média.>
No Centro-Oeste, a previsão é de chuva próxima ou abaixo da média histórica, fora Mato Grosso do Sul, que pode ter uma quantidade de precipitação acima dos registros. No Sudeste, o volume de chuva pode ficar ligeiramente acima da média, especialmente em São Paulo e no sul de Minas Gerais.>
No Sul, a precipitação pode ficar acima da média, e se concentra no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.>
A chance de desenvolvimento do efeito contrário, o La Niña (resfriamento das águas do Pacífico equatorial), entre junho e agosto, é de 63%, segundo a Noaa. Mas segundo Dolif, não significa automaticamente que haverá uma diminuição das temperaturas em partes do Brasil, e os sinais desses efeitos pesquisados em outros anos não foram tão marcados.>
"O que fizemos no Cemaden para tentar uma leitura sobre a primavera ou o verão com o fenômeno no segundo semestre foi buscar anos análogos, quando saímos do El Niño direto para um La Niña.">
As últimas cinco ocorrências foram em 2016, 2010, 2007, 1998 e 1995. Baseado no que ocorreu nestes anos, Dolif prevê que os extremos do país tenham chuva na primavera abaixo da média no Sul e acima da média no norte do Amapá. Ela deve ficar acima da média também em uma região que inclui parte de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.>
Já o verão deve ter precipitação acima da média, segundo Dolif, na costa da região Sul, em São Paulo e no litoral norte do país.>
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