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Crônica

Bem-vinda, Amora

Espero que ela goste de ficar ao meu lado, atenta e solidária, enquanto faço colheres, tomo café, leio jornal, escrevo alguma coisa, conserto o que estiver quebrado

Publicado em 22 de Fevereiro de 2018 às 17:37

Públicado em 

22 fev 2018 às 17:37
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Aurora vivia solta, andando no quintal e sobretudo nos muros. Foi uma bela amizade, que durou oito anos. Ela chegou bem feinha, ainda sem penas e com um bico enorme. Por um bom tempo tive que dar comida na boca, com colherinha de café. Cresceu muito rápido. Como toda arara, possuía grande habilidade para descascar sementes. Usava a língua, dura e seca, para posicioná-las de forma que pudesse apertá-las pelas bordas com o bico, separando as duas bandas da casca para liberar a amêndoa, que recolhia com a língua, deixando cair o que não servisse para comer.
Amora era esperada para antes do Natal, mas só agora, já passado o carnaval, é que ela vai chegar. Depois de tanta demora, esta semana comecei a pensar se deveria criá-la presa por uma corrente a um poleiro ou inteiramente solta. Melhor que ela prefira viver perto da gente, sem ficar querendo voar pra longe, como fazia sua antecessora. Bicho sossegado e interativo, ela vai poder se divertir bastante com a rotina doméstica, vendo gente cozinhando, passando roupa, varrendo a varanda. Espero que ela goste de ficar ao meu lado, atenta e solidária, enquanto faço colheres, tomo café, leio jornal, escrevo alguma coisa, conserto o que estiver quebrado.
Por tudo isso é que achei por bem providenciar um poleiro deslizante, de forma que ela possa ser levada facilmente de um lado pro outro. Tratei de comprar um pé de cadeira de cinco rodinhas lá na Ilha de Santa Maria e um poleiro reforçado em Vila Velha. Lançando mão do que restou da minha antiga vara de bambu e algum arame, montei um robusto protótipo da moradia suspensa de Amora. Por prudência, encomendei uma correntinha para prender no pé dela enquanto ela for se acostumando e tomando afeição por nós, inclusive pelos três basset da casa. Quando acossados, cachorros rosnam e gatos se arrepiam. Com Aurora aprendi que, sob ameaça, as araras comprimem o preto dos olhos, um precioso indicativo para evitar bicadas dolorosas. Quando tranquilas, com as pupilas dilatadas, elas adoram ficar bicando bem de levinho os dedos da gente.
*O autor é engenheiro de produção, cronista e colhereiro
 

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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