A cena é clássica: um barzinho com algumas cadeiras e mesinhas de plástico, uma música ao fundo e algumas pessoas jogando umas fichas de sinuca. Esse cenário é quase que parte do cotidiano de muitas cidades do interior do Espírito Santo e do país. O estralo da bola entrando na caçapa chama a atenção das pessoas ao redor da mesa e não é exagero dizer que, no Brasil, ninguém faz isso melhor que o ex-ajudante de pedreiro Josué Ramalho da Silva, ou melhor, o "Baianinho de Mauá".
Fenômeno da sinuquinha, esse baiano de 46 anos roda o país exibindo tacadas perfeitas na mesa de bilhar e encantando quem o vê jogar. As jogadas precisas e sinucas de bico nos adversários rendem ao jogador uma estabilidade financeira que a antiga profissão nem de perto chegou a proporcionar. A divulgação dos vídeos em canais especializados na modalidade o ajudaram a ser conhecido (e temido) na maioria das sinuquinhas do Brasil.
Consolidado e com status de estrela, Baianinho de Mauá atualmente se dá ao luxo de contar com patrocinadores pessoais, tacos estilizados e desenvolvidos por ele próprio, além uma legião de fãs que chegam a pagar para ter a presença ilustre da fera da sinuca em um evento particular – cada exibição parte de um valor de R$ 3 mil, mas é comum aparecerem desafiantes que oferecem grandes quantias para batê-lo no par ou ímpar, ou em outro jogo. O talento para a sinuca é tanto que o mais famoso jogador de sinuca do Brasil, Rui Chapéu, faz questão de enaltecê-lo e reconhecê-lo como o maior expoente atual da sinuquinha do país.
Humilde e simples, Baianinho de Mauá atendeu a reportagem de A Gazeta e contou como é ser uma referência na modalidade. Radicado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ele fez fama em Mauá, na região metropolitana paulista, onde ganhou o apelido, e de lá se recorda do Espírito Santo. Por conta da proximidade com a Bahia, em muitas viagens, sempre que possível de carro, o Estado era rota ou passagem para Baianinho. Muitas vezes ele parava por aqui para jogar, e ganhar.