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Filosofia

Autoridade da ignorância: o ES não está livre da estupidez política

No meio político isso se dá quando um governo se cerca de uma minoria seleta, mais preocupada em se manter no cargo e atender aos interesses do chefe do que formular políticas públicas para cidadãos

Publicado em 14 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

14 jan 2020 às 04:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Platão Crédito: Divulgação
Segundo a tradição filosófica, a incompetência se dá quando as pessoas ficam meio que cegas diante da realidade. Ela não é vista e nem compreendida. No meio político isso se dá quando um governo se cerca de uma minoria seleta, mais preocupada em se manter no cargo e atender aos interesses do chefe, do que formular políticas públicas para atender as reais necessidades dos cidadãos.
Para o filósofo alemão, Eric Voegelin, ao invés de uma elite política, formam uma “ralé”, que acreditam que a realidade está aos seus pés. É fruto do que defendem, apenas por ser quem são e exercerem os cargos para os quais foram escolhidos. E quando as coisas dão errado, limitam-se a negar toda a responsabilidade. Lançam a culpa nos grupos políticos que os antecederam ou na oposição. Segundo ele, quem se recusa a ver as consequências do real não merece outro nome que não o de estúpido.
Afinal, o que é a estupidez? Vejamos o que diz a tradição filosófica. Platão usa o termo amathes, o homem irracional, que não se curva à razão e, portanto, tem uma imagem defeituosa da realidade. Para São Tomás de Aquino, o “tolo” é o estulto, que não compreende nem a revelação, nem a razão, e mesmo assim tenta mudar a realidade, tendo como resultado óbvio produzir o caos.
Este diagnostico filosófico mostra que sofremos hoje do mal da “autoridade da ignorância”. Isso acontece quando um grupo age e tem como base de sustentação do seu governo a fake news. Como a única fonte e padrão de verdade, a ponto de a mentira virar uma instituição. Uma característica forte deste modelo é o combate à ciência e às fontes de saber acadêmico. E o pior é que as consequências desta estupidez se arrastam para 2020.
Como para cada líder existem seguidores, no Espírito Santo não é diferente. Aqui tem discípulos ferrenhos deste modelo. Mas como capixabas, temos que fazer a leitura critica da realidade. Refletir e agir para que em um futuro próximo a sociedade fique sabendo que não deixamos o pesadelo tomar conta dos nossos dias.
Para isso, segundo Voegelin, é necessário a coragem de confiar no real como a única garantia que permite superar a estupidez institucionalizada. E como não é fácil tirar o tonto da sua tontice, a sabedoria milenar receita “filosofia” (leitura, reflexão e ação sobre a realidade) pela manhã, à tarde e à noite, e umas gotas de sensatez todos os dias.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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