De acordo com o último levantamento do Ibope sobre a eleição para o Senado no Espírito Santo – publicado por A GAZETA no último dia 9 –, Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB) seguem confortáveis na ponta, mas a pesquisa captou dois indicativos interessantes: da primeira pesquisa, publicada em 19 de agosto, para a mais recente, Magno caiu um pouco (de 54% para 48%) e, ainda mais importante, Fabiano Contarato (Rede) registrou crescimento acima da margem de erro: passou de 10% para 16%.
É pouco? Sim e não. Comparado ao que ele tinha antes, é um bom crescimento relativo. Comparado ao que ainda precisa remar para alcançar Ferraço e Magno, está longe de ser suficiente. Mas a pergunta certa não é essa, e sim: até que ponto pode ganhar força o candidato da Rede nesta reta final? Vai continuar crescendo ou vai se estabilizar nesse patamar, após o impulso inicial “natural” recebido por ele com o início da veiculação da propaganda eleitoral gratuita?
É importante registrar o seguinte: na primeira pesquisa do Ibope, os entrevistadores foram às ruas entre 15 e 17 de agosto. Foram os três primeiros dias de campanha liberada. Já havia então campanha oficial, mas não campanha para valer. Já na segunda pesquisa da série, o Ibope foi às ruas entre 5 e 7 de setembro, portanto após os primeiros dias de exibição da propaganda eleitoral em meios de comunicação de massa.
Até então, muitos eleitores não deviam nem sequer saber que Contarato concorre ao Senado – até porque, nos últimos tempos, ele não estava muito em evidência, como esteve nos seus tempos à frente da Delegacia de Delitos de Trânsito.
Além disso, no rádio e na TV, Contarato possui uma vantagem em relação aos concorrentes: é o único cuja coligação não tem um segundo candidato. Assim, todo o tempo da sua coligação no horário eleitoral fica reservado para ele. É 1 minuto e 12 segundos por bloco – mais, por exemplo, do que os 58 segundos de Magno.
Esse “primeiro impulso” é captado também nos índices de intenção espontânea de voto: em agosto, Contarato não foi mencionado por ninguém; após o início da propaganda massiva, passou para 5% – contra 7% de Ferraço e 10% de Magno.
É importante, então, acompanharmos atentamente a evolução de Contarato nos próximos levantamentos, para conferir se essa tendência de crescimento se confirma ou não. Se for consistente, ele pode até, quem sabe, surpreender os favoritos na reta final. Mesmo porque, na disputa ao Senado, ofuscada pelas disputas a cargos do Executivo que concentram as atenções das pessoas (governador e presidente), é possível que muitos eleitores deixem para definir o voto só nos últimos dias de campanha. Na espontânea dessa última do Ibope, 75% não souberam responder em quem vão votar para o Senado.
O maior desafio do delegado é romper com um tabu histórico: em oito eleições para o Senado desde a redemocratização (num total de 12 vagas preenchidas), os capixabas jamais elegeram um senador sem experiência política prévia e que realmente significasse “novidade”.
Tabus existem para se quebrar. No caso da eleição ao governo, o Ibope não trouxe nenhum elemento que reforce ou ao menos mantenha viva a hipótese de reviravolta. Na pesquisa sobre o Senado, sim: o princípio de crescimento de Contarato indica que uma surpresa pode vir a ocorrer, mesmo que essa chance seja remota.
Ferraço no alvo
Para remar tudo o que falta, Contarato tem se apresentado com discurso de renovação e começa a centrar fogo em Ricardo Ferraço na TV. Na última sexta, por exemplo, criticou a reforma trabalhista, relatada pelo tucano no Senado. A ver se fará o mesmo com Magno.
Antirreforma
À coluna, Contarato afirmou que não pretende “personalizar” sua campanha. Mas criticou outros pontos da reforma, como a autorização de contratos de trabalho intermitente e a negociação direta entre patrões e empregados se sobrepondo a negociações coletivas.
Anti“políticos”
No rádio, na TV e na internet, Contarato apresenta-se não só com discurso de renovação, mas como um “não político” em condições de fazer o que os “políticos” prometem mas não fazem. Após início em tom mais emocional (mostrando a mãe e até o filho), a campanha mudou de direção, assumindo tom mais assertivo e propositivo. A fala do candidato e seu jingle são recheados por frases como “eu sei como fazer” e “pra chegar e resolver”.
Antissistema
Além disso, Contarato tem se apresentado como candidato antissistema. Um de seus programas narrou como ele foi transferido de várias delegacias por incomodar pessoas influentes com seu trabalho. “Estou me candidatando para incomodar o sistema sim, e dessa vez não vão me tirar de lá”, afirma ele, em corrente da campanha pelo WhatsApp.
Abre o ooooooolho
Para quem se associa à renovação, ele precisa tomar cuidado com o populismo presente em frases como “vou fazer”, “vou resolver”... O Senado tem 81 cabeças e não é Poder Executivo, certo?