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Fábio Veiga
"As pessoas  têm preconceitos acima dos valores de bondade e caridade"
O presidente do Conselho Estadual LGBT+ reclama da intolerância da sociedade, critica o governo Bolsonaro e afirma que o preconceito contra os gays vem até do olhar

Leonel Ximenes

Colunista

Publicado em 18 de Novembro de 2019 às 04:30

Publicado em

18 nov 2019 às 04:30

As barreiras encontradas na sociedade são muitas, mas a população LGBT+ (sigla para designar lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) vai à luta. No Espírito Santo, acabam de participar da IV Conferência Estadual LGBT, onde discutiram, entre outros assuntos de interesse do segmento, o Plano Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia. Uma das ideias do LGBTs capixabas é ter voz e participação ativas nas eleições municipais do ano que vem: "Estamos mapeando candidaturas e dialogaremos com pessoas que têm a sensibilidade com nossa pauta", adianta o administrador Fábio Veiga, de 39 anos, presidente do Conselho Estadual LGBT+.

Como a sociedade capixaba trata as pessoas LGBT? Há ainda muito preconceito?

Não só a sociedade capixaba. Apesar dos avanços em tolerância e visibilidade, as pessoas continuam em sua maioria intolerantes, causando diversas dificuldades para a vida de LGBT+, como violências físicas e psicológicas, além de doenças e violências autoprovocadas como depressão e suicídio.

Quem tem mais dificuldade de assumir sua condição de LGBT?

Cada caso é um caso e não há uma população apenas que tenha dificuldade. Mas quem sofre mais preconceito hoje é quem possui menos passabilidade, ou seja, aquelas pessoas que são reconhecidas como LGBT+ por meio do mero olhar. Quem consegue ser confundido com pessoas não LGBT+ sofre menos e é aceito com mais facilidade, sem que isso queira dizer que não tenha sofrido nenhum preconceito durante a vida.

Na semana passada foi realizada a IV Conferência Estadual LGBT, que discutiu o Plano Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia. O que falta ser conquistado pelas populações LGBT no ES?

Realizamos a IV conferência com o objetivo de construir coletivamente e tornar legítimo e efetivo o Plano Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia e promoção da cidadania e dos direitos humanos de LGBT+ do Espírito Santo. Temos várias demandas para ser atendidas por diversas secretarias, mas posso citar o centro de referência para atendimento e acolhimento de LGBT+ em vulnerabilidade como uma das principais.

Qual a avaliação da comunidade LGBT sobre o governo Bolsonaro?

É um governo fascista e conservador, que em 11 meses acabou com todas as políticas que existiam no governo federal, como programa, ações, setores e o Conselho Nacional. O resultado dessas medidas serão sentidas por muitos anos.

Sobre os serviços prestados pelo Poder Público, em quais deles as pessoas LGBT+ encontram mais dificuldade de acesso?

A Saúde é a mais complexa, por conta da população trans e das lésbicas.

É comum relacionar o ativismo LGBT aos partidos de esquerda. Um  LGBT conservador ou de direita também não é discriminado pelos seus pares engajados politicamente?

As pessoas militam de acordo com sua ideologia. A esquerda é que sempre pautou a luta pelos direitos humanos e pela cidadania, a direita tem outra pauta. Isso faz com que os LGBT+ procurem sempre partidos de esquerda.

E entre as igrejas e religiões, quais são as mais abertas e as mais restritivas às pessoas LGBT+?

Mais que igrejas e religiões, são pessoas que têm preconceitos acima dos valores de bondade e caridade.

Vocês esperam eleger pessoas LGBT+ ou simpáticas à causa para vereadores e prefeitos na eleição de 2020?

Sim. Estamos mapeando candidaturas e dialogaremos com pessoas que têm a sensibilidade com nossa pauta. Estamos pesquisando e buscando informações que as protejam de práticas abusivas e desleais.

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