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Transcol é retrato da tortura coletivizada e do drama humano

O transporte público coletivo deveria ser um serviço de qualidade, por ser uma das soluções para a mobilidade urbana

Publicado em 03/04/2019 às 17h11

Passageiros tentando entrar em ônibus do transcol

Paulo Brandão*

O cidadão que sai para trabalhar, ao entrar num ônibus, em qualquer ponto de nossas cidades, em sua grande maioria, enfrenta sérias dificuldades. Entre elas, a roleta gigante ou roletão - mecanismo totalmente insalubre e desumano -, é a mais recente e está causando constrangimento a todos.

O modelo “cadeião” de roleta lembra uma grade e expõe quem precisa passar por ela a uma situação vexatória. Devido à necessidade das empresas controlarem a alegada perda de receita, por causa de pulos de roleta, foi implantado o roletão. Estrutura que pode ter dado bons resultados para o sistema, mas é deprimente para os usuários.

Se não bastasse isso, enquanto esperam nos pontos de ônibus, os usuários sofrem com sol forte ou chuva, em pé na maioria das vezes, devido à precariedade dos poucos abrigos. E quando conseguem entrar em algum ônibus, no horário de pico, caso raro e digno de nota, passam a conviver com riscos constantes, devido à superlotação.

Quanto aos horários, é importante frisar que há o cumprimento deles, mas a maioria dos veículos ainda andam atrasados, prejudicando todos que aguardam nos pontos. O que se vê todos os dias, dentro dos coletivos, é o sofrimento dos capixabas.

Andar de ônibus virou um drama humano coletivizado, devido aos diversos riscos diários. As dores decorrentes do esforço de ficar em pé, o sol forte, o barulho estridente dos vidros, os solavancos das freadas bruscas e o malabarismo para se equilibrar no tumultuado tráfego da cidade estão entre algumas formas de tortura partilhada entre os usuários nas suas jornadas cotidianas.

O motorista, profissional que merece ser mais valorizado, se torna a mão que balança o berço e embala o sono dos cansados trabalhadores, que tomados pela necessidade de repor energia, adormecem na confiança do condutor. Mas o que deveria ser um momento de relaxamento, passa a ser um comportamento arriscado, pois em caso de freada brusca ou batida, o usuário não tem proteção de cinto de segurança.

Enfim, o transporte público coletivo deveria ser um serviço de excelente qualidade, por ser uma das soluções para a mobilidade urbana em nossas cidades. Mas do jeito em que se encontra, está deixando a desejar. Diante de tantos riscos, a única certeza que resta é saber que não estamos sozinhos, pois, ao nosso lado, infelizmente, existem outros sofrendo os mesmos riscos que a gente.

*O autor é filósofo e sociólogo

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