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Artigo de Opinião

Segurança

Trabalho preventivo de policiais nas escolas reduz atos infracionais

Nada de mão na cabeça. Nada de revistas na entrada. Nada de trauma. Nada de transformar escolas em ambientes de grades

Publicado em 06 de Abril de 2019 às 01:24

Publicado em 

06 abr 2019 às 01:24
Patrulha Escolar
Henrique Geaquinto Herkenhoff e Warner di Francesco Belém*
Será que é tarde para falar de Suzano? Acho que não. Aquilo pode se repetir. Além disso, temos aqui no ES dois programas que, se não prometem ser a solução de todos os males ou a prevenção de todos os riscos, já mostraram resultados. Um deles é a Patrulha Escolar. Falaremos de justiça restaurativa e mediação depois.
O programa nasceu de uma iniciativa da Sedu, abraçada pela PM e desenvolvida a muitas mãos com o MP, o Judiciário, o Conselho Tutelar, as delegacias especializadas e, principalmente, a comunidade escolar. À primeira vista, nada demais: um pequeno grupo de policiais (um quinto do efetivo que antes cuidava da segurança das escolas) visita a rede estadual, independentemente de qualquer incidente.
Todos são assistentes sociais, psicólogos pedagogos etc., sempre um do gênero masculino e outro feminino, travando relações progressivamente mais próximas e amistosas com alunos e professores. Graças ao programa, a necessidade de apreender um adolescente é cada vez mais rara, mas mesmo que isso se faça indispensável, acontece sem que os demais alunos sequer percebam. Se isso ocorrer, os policiais se reúnem com a família, a coordenação e o Conselho Tutelar. Quase sempre, no entanto, são apenas conversas espontâneas; também há palestras sobre bullying e outras atividades do tipo.
Em três anos, as ações repressivas caíram de 30% para 2% e a reincidência reduziu mais de 2/3. Na escola onde o programa começou, os atos infracionais simplesmente deixaram de ocorrer e mesmo os de simples indisciplina diminuíram 70%; a nota no Ideb saltou de 2,9 para 5,6, o que significou deixar de ser a terceira pior para se tornar a terceira melhor da rede pública estadual. Pesquisa revelou que 98% dos alunos atendidos confiavam nos policiais.
Nada de mão na cabeça. Nada de revistas na entrada. Nada de trauma. Nada de transformar cada escola em um ambiente de grades. Nem mesmo a rotina escolar é afetada, pois os policiais se integram à paisagem e ninguém se sente vigiado, mas protegido. Boas soluções para as violências em contexto escolar não precisam ser caras ou complexas, nem descaracterizar as escolas como ambiente de aprendizado, muito pelo contrário. As Guardas Municipais de Vitória e Vila Velha já têm programas semelhantes para as suas redes. Tomara que isso se espalhe, mesmo. Pelo Brasil todo.
*Os autores são, respectivamente, professor do mestrado em Segurança Pública da UVV; capitão da PMES e mestre em Segurança Pública
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