Não há como fugir da realidade, ainda mais quando os dias atuais se colocam como tempos tão difíceis. Portanto, somos todos, em diferentes níveis, vítimas em potencial.
Demorou, mas outra lama da Vale chegou ao Espírito Santo, precisamente em João Neiva. Não os rejeitos que escorreram pelos rios, mas os efeitos do desastre em Minas Gerais, que afetaram uma importante indústria local. Lá, foi a lama. Aqui na Grande Vitória é o pó preto, maior amigo dos moradores.
Nosso cotidiano é mesclado de crises políticas de um governo recém-eleito, e também de violência. As denúncias de feminicídio cresceram 14% no Brasil entre 2015 e 2018. Ainda assim, uma mulher é assassinada a cada duas horas.
As ruas da cidade são retrato cruel dessa realidade fruto das desigualdades. Vitória possui cerca de mil moradores de rua, e também registra 32 casos de roubos por dia. Ao mesmo tempo, a guerra do tráfico impede moradores de voltarem para suas casas após um longo dia de trabalho ou estudo.
O Brasil ainda é racista, mas há avanços, e a sociedade já sabe que há penalidades. Mas o racista é demoníaco.
E ainda somos surpreendidos com a tragédia de Suzano, em São Paulo, com infeliz associação aos massacres registrados em escolas americanas.
Há datas para celebrar de tudo, mas poucos sabem que também existe o dia mundial das doenças raras, ou as datas de tristezas, de tragédias, o dia dos garotos do Flamengo, dia do falecimento de Dom Silvestre, o dia da perda do formidável Boechat e de Bibi Ferreira, aos 96 anos.
Mas nem tudo são mazelas. O Solar Monjardim bateu recorde de visitas em 2018. Viva a cultura! Já a Petrobras, que (ainda) é nossa, anuncia que vai perfurar 45 poços no Norte do Espírito Santo. E o Banestes registra lucro recorde de R$ 181 milhões no ano passado. Viva a economia! Enquanto isso, a Lava Jato recuperou bilhões de reais, mas ainda debate qual será o destino do dinheiro. Viva a corrupção!
Diante de tanta violência, não é demais pedir: chega dessa sociedade adoecida!