Não há nada em curso no mundo que não exija uma constante transformação para se manter atrativo. Mudança é algo necessário a qualquer setor ou atividade que precise se perpetuar na vida das pessoas. Contexto em que se encaixa o jornalismo: cada dia mais necessário. Ferramenta que permite voz à indignação, contestação às atividades questionáveis, e também momentos de alívio e incentivo para continuarmos a acreditar que a sociedade caminha em evolução. É nesta linha que prosseguiremos, em qualquer plataforma que seja.
Como editor de Esportes, não posso deixar de citar o recurso de maior revolução no futebol nos últimos anos: o árbitro de vídeo. O famigerado VAR foi apresentado ao mundo em uma competição oficial Fifa em dezembro de 2016, aperfeiçoado para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, e a partir daí disseminado no Brasil. Uma inovação tecnológica com o objetivo de auxiliar o jogo, minimizar o erro humano e deixar a competição mais justa, mas que não conseguiu passar ilesa a polêmicas e acaloradas discussões.
Isso acontece porque toda transformação assusta. Assim como no futebol, no jornalismo não é diferente. Os esforços agora passam a ser direcionados a atender o público em tempo real, onde ele estiver, com a profundidade e equilíbrio que são praxes da profissão. Entretanto, por mais que estejamos certos do potencial positivo da transformação, é impossível não ter o mínimo de receio do que o novo trará. Logo questionamos, discutimos, pensamos e tememos. Normal. Somos assim.
O árbitro de vídeo, após poucos anos de uso, já foi assimilado como parte do todo no futebol. Ainda é motivo de debate e necessita de melhorias. Da mesma forma, o jornalismo continuará em adaptação às demandas da sociedade. Ainda que as novidades provoquem um leve temor, o sentimento de aceitar o desafio e mirar o objetivo de levar o melhor produto ao nosso público é o que nos motiva. Nessa trilha, seguiremos.
*O autor é editor de Esportes de A Gazeta