Eugênio Ricas*
Conforme divulgado pela imprensa, a Polícia Civil do Rio de Janeiro finalmente identificou os suspeitos de terem matado a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Após um ano, dois suspeitos foram presos e 34 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na chamada Operação Lume.
Nas entrevistas dadas pelo delegado, algumas expressões chamam a atenção. Análise inicial de imagens coletadas, dados do GPS, análise telemática, e por aí vai. O leitor desavisado poderia imaginar estar diante de um episódio das séries americanas de investigação policial. Nada disso! Estamos diante de uma investigação de verdade, realizada no Brasil. E não poderia ser diferente! Se há uma verdade na ciência policial é que, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica sua resolução. Parte das provas, principalmente aquelas que dependem dos seres humanos, como as testemunhais, vão se perdendo no tempo, restando, apenas, a dor das vítimas e de seus familiares. Nesses casos (e o caso Marielle é um exemplo emblemático), o uso de inteligência e de tecnologia é fundamental para que a polícia consiga atuar com eficácia, mesmo depois de passado tanto tempo.
A cada dia, tecnologias mais modernas e melhores têm sido disponibilizadas. Não dá, em pleno século XXI, para ficarmos alheios a isso. O crime está cada vez mais organizado e não respeita qualquer tipo de fronteiras. As polícias, por sua vez, precisam, utilizando inteligência e tecnologia, fazer frente à insegurança que tem afligido as famílias brasileiras. Sabemos que fazer solenidade para entrega de viaturas e armamentos ainda dá ibope, mas só isso não resolve o problema. Não basta investir em inteligência, é preciso investir com inteligência.
E, se o foco aqui foi o trabalho investigativo, também podemos citar bons resultados quando se trabalha com inteligência no policiamento preventivo. Boa parte das polícias americanas, por exemplo, utiliza, desde a década de 1990, uma ferramenta chamada Compstat que, por meio de análises das ocorrências criminais, indica onde os recursos devem ser aplicados. O Departamento de Polícia de Nova York (pioneiro na utilização do Compstat) chegou a reduzir em 60% o índice de criminalidade se valendo da metodologia.
Parabéns à Polícia do Rio. A sociedade espera menos crimes e, também, menos impunidade. Isso, conforme outros países já mostraram, é um sonho possível de ser alcançado. Trabalhando com inteligência e fazendo uso das tecnologias adequadas também poderemos ter índices aceitáveis de criminalidade. Hoje, estamos longe disso!
*O autor é delegado federal, adido da PF nos EUA e mestre em Gestão Pública pela Ufes