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Artigo de Opinião

Marcos Alencar

Só as frases de Mae West nos salvam

Mae era bonita, provocante, corpo escultural. Diziam que o design da garrafa da Coca-Cola havia sido inspirado em suas curvas

Publicado em 29 de Março de 2019 às 19:30

Publicado em 

29 mar 2019 às 19:30
Mae West Crédito: Reprodução
Marcos Alencar*
Eu era ainda adolescente quando, pela primeira vez, ouvi falar de Mae West. Fui seduzido pela franqueza da estrela americana, um comportamento pouco comum para os costumes da época: “A coisa que mais gosto de ouvir é, por exemplo, o barulho de um cortador de grama. Significa que alguém está fazendo alguma coisa, e não sou eu”.
Mae era bonita, provocante, corpo escultural. Diziam que o design da garrafa da Coca-Cola havia sido inspirado em suas curvas. Mae fez teatro e cinema, foi cantora, comediante e roteirista.
E, como frasista, não tinha igual. Catei na internet alguns exemplos de uma grande coleção de suas pérolas. Sempre geniais, como: “Meninas boas vão para o céu, meninas más vão para qualquer lugar”.
Ou: “Quando eu sou boa, eu sou ótima. Quando eu sou má, sou melhor ainda”.
Ou então: “Só me agrada dois tipos de homem: os nacionais e os importados”.
Pois é, Mae era o cara! E foi dela que me lembrei assim que comecei a navegar por outros mares na leitura diária de jornais, revistas e blogs. O noticiário político, meu preferido até então, vem me causando engulhos. Pedi conselhos ao meu pai de santo de confiança e ele me prescreveu um tratamento de choque: que eu me dedique exclusivamente à leitura das colunas de futriquinhas de famosos, semifamosos e daqueles que se acham. E apagar a luz e fechar à chave o quartinho das excelências. Confesso que fiquei meio assustado com a recomendação tarja preta, mas Mae West veio em meu socorro. Recomendação dela: “Entre dois males, escolho sempre aquele que nunca experimentei”. Então, fui à luta.
De formas que tenho passado os dias albergado num camarote VIP ao sabor das futilidades. Abro uma página e dou de cara com um grande pecado: Simone esquece de ir à festa de Flavia Pavanelli! Ó, dor!! E descubro que Cleo Pires, depois de posar nua, foi categórica com o seu cirurgião plástico: “Tira tudo, menos a bunda”. Xuxa, a ilariê, confessando: “Continuo vegana, estou muito bem careca e com minhas rugas”. Parece mentira, mas a namorada de Ana Carolina é chamada de baranga e é defendida pela ex Letícia Lima. Fico também sabendo de cada novo amor de Zilu Godoy. E quase me emociono ao ler que Anitta e Luisa Mell resgataram um cachorro abandonado na estrada. Quem não viu, perdeu a emocionante foto da Mulher Melão segurando uma xícara e desejando bom dia aos seus seguidores. E a coragem da Val Marchiori falando mal da nova Miss Brasil, hein? Ai, que loucura!
Confesso que as ânsias de vômito, provocadas pelo cenário político em geral, desapareceram como por milagre. Em compensação passei a ter terríveis pesadelos. Ontem à noite – vejam vocês - sonhei que eu era o Munhoz, da dupla Munhoz & Mariano. Acordei desesperado. Pensei até em pedir a Deus para voltar a ser analfabeto.
*O autor é cronista
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