
Fernando Repinaldo*
Em geral, a sinalização de trânsito no Brasil é tratada de forma amadora ou com uso superficial da técnica adequada. Qualifica-se de “semáforos inteligentes” sistemas que não têm as características técnicas apropriadas ao termo.
Quem circula por aqui reconhece a falta de sincronia dos semáforos e o trânsito caótico em nossas vias. Compartilha sensações de martírio e ânsia em eventos regulares. A imprensa registra e cobra. Entretanto, narrativas controversas das autoridades demonstram uma distorção de percepção que destrói a capacidade de conciliar a verdade factual e a teoria reflexiva. Enfim, uma realidade não capturada.
A má administração do trânsito é causa de acidentes, atrasos, consumo e emissão de carbono, pontos que resultam em prejuízos nas áreas da saúde e de finanças. Construir mais ruas largas e mais estacionamentos é uma solução míope, mas um sistema inteligente de ajuste e sincronização de semáforos pode melhorar o fluxo de trânsito, reduzindo o “anda e para”.
Objetivando proporcionar a chamada “onda verde” - quando o motorista consegue passar por longo trecho de uma via sem ter de parar no sinal vermelho -, semáforos em sintonia geram melhor fluidez no trânsito e mais segurança para os usuários. Neste aspecto, com avanços tímidos, a eficiência do método aplicado em nossa cidade tem sido colocada em xeque.
Uma central semafórica é um excelente recurso que agiliza e facilita muito o monitoramento e a inserção de dados nos controladores por meio do software instalado, mas por si só não proporciona a onda verde. Qualquer que seja o sistema semafórico, tempo fixo ou real, sem estudos e ações feitas por pessoas treinadas, o fato não ocorrerá. Desta forma, uma central semafórica é apenas um recurso valioso para auxiliar os profissionais na realização de vários objetivos, entre os quais, a sincronia semafórica.
Manter semáforos sincronizados inclui atividades que antecedem a existência de uma central, logo, a implantação e manutenção de seu funcionamento correto é tarefa complexa, que exige muita organização, competência e procedimentos operacionais eficazes.
O sistema viário tem pouco espaço para crescer. Por isso, a sincronização terá um papel fundamental. A solução provisória e imediata para implantá-la seria a reavaliação de todos os planos existentes para o padrão atual de tráfego, a parametrização e otimização do verde, além da preparação dos funcionários para saberem atuar no processo. Isso se faz através de um projeto de diagnóstico e reavaliação do sistema semafórico. Uma solução definitiva só poderá ser tratada através de um “Plano Diretor de Mobilidade Urbana”, face a necessidades específicas e investimentos necessários.
Investimento sistemático em métodos e instrumentos que promovam a maior qualidade do trânsito é um alvo a ser perseguido. Afinal, o cidadão anseia por gestão pública eficiente, proba e otimizada.
*O autor é especialista em Administração Pública, Gestão de Projetos e Engenharia de Tráfego