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Artigo de Opinião

Marcos Alencar

Quem reclama do buraco no meio da pista?

O cidadão é quem dá o grito. E sempre quem leva esse grito à autoridade competente não é um servidor público. É a imprensa

Publicado em 06 de Junho de 2019 às 16:50

Publicado em 

06 jun 2019 às 16:50
Crédito: Guilherme Ferrari
*Marcos Alencar
Em casos que envolvem a administração pública, dezenas de pequenos problemas acabam por se tornar grandes quando as soluções deixam de ser atacadas de início. Ou antes mesmo que aconteçam.
Todos se lembram da figura histórica do marujo, encarapitado no mastro central da caravela, de olhos atentos, orientando o timoneiro sobre os problemas à frente da nau - evitando assim, colisões com rochas, baleias, embarcações menores e tudo o mais que impedisse a viagem segura até a hora do esperado grito de “terra à vista”!
Pois bem, é exatamente esse competente marujo que anda fazendo falta à boa administração do Estado e dos nossos municípios. Principalmente os da região metropolitana de Vitória.
Esse marujo, na verdade um profissional de mancheias, cuja função exclusiva seria a de detectar os pepinos que venham a causar transtornos ao cidadão.
É difícil para um governante antever todos os problemas que possam vir a causar transtornos na vida dos cidadãos. Quem vê primeiro o guarda-corpo do viaduto remendado com fitas plásticas, pronto para causar um acidente? O governador, um secretário, um deputado, um vereador? Quá... o cidadão é quem dá o grito. E sempre quem leva esse grito à autoridade competente não é um servidor público. É a imprensa, que rotineiramente empresta seu megafone pra chamar a atenção da autoridade para o problema.
Como um governante fica sabendo que a rodovia estadual, lá em Muqui, está interditada desde o ano passado? E do terminal rodoviário que ameaça cair? Dos bueiros sem tampa? Só quando um lerdo ofício der entrada no protocolo oficial. Quem da administração pública foi lá ver, ouvir, aferir o tamanho do problema e trazer de imediato para quem é capaz de resolver o pepino? Quem?
Governadores e prefeitos esperam por ônibus nos abrigos? Eles estão em bom estado? Pisam na rodoviária? Os banheiros públicos estão em ordem? As cidades têm marquises seguras? Há semáforos entupindo sistematicamente o trânsito? Não sabem. Até parecem sinceros nas intenções. Mas intenção não tapa buraco, não remenda pontes.
Nos gabinetes, aguardam o alerta da imprensa. E só então começam a tocar o barco. Quando tocam. Assim não dá. Assim não tem dado. É preciso um olheiro e uma boa equipe a flagrar, a tempo e a hora, problemas que existem e os que virão a atormentar o cidadão, a comunidade, a população.
Quem sabe melhor da via sacra de quem precisa de atendimento num PA? Os diretores? Os chefes? As enfermeiras? Os médicos? Cada um deles faz um relatório da parte que lhes toca. E, se relatório resolvesse problemas, ninguém mais seria atendido em macas nos corredores dos hospitais.
Precisamos, mais do que nunca, de um olheiro de plantão. Só assim teremos dias melhores à vista.
*O autor é cronista
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