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Artigo de Opinião

Direitos humanos

Quando a relevância de uma mulher como Marielle Franco incomoda

Marielle enfrentava esquemas perigosos e poderosos, que se espraiam pelo país fazendo as mesmas vítimas de sempre

Publicado em 13 de Março de 2019 às 20:34

Publicado em 

13 mar 2019 às 20:34
Vereadora Marielle Franco foi assassinada em março
Verônica Bezerra*
Neste 14 de março de 2019, o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes completa um ano. Era noite de quarta-feira quando a vereadora carioca, socióloga, negra, periférica, homossexual e aguerrida, ao concluir sua derradeira atividade do dia, e ao voltar para casa, foi abatida pelo certeiro disparo. Pensavam que iriam calar a voz de uma mulher que incomodava a muitos, mas, ledo engano, despertaram uma força incontrolável, que emana da dignidade da pessoa humana e da luta de um povo sofrido.
A trajetória de luta de Marielle aponta para as pistas da elucidação de um caso de assassinato que tem reincidência no Brasil, a eliminação de Defensores de Direitos Humanos. Todos aqueles que se posicionam contra o poder hegemônico, e começam a incomodar ao ameaçar sistema posto, precisam ser eliminados. De forma simbólica ou real.
Marielle enfrentava esquemas perigosos e poderosos, que se espraiam pelo país fazendo as mesmas vítimas de sempre. Fazendo da tribuna, da rua e da escuta seus instrumentos de luta mais potentes, ouvia a todos e a todas, e diante de quaisquer violações de direitos, se posicionava na fileira primeira das batalhas necessárias para que o bem viver fosse democrático, e não somente um artigo de luxo de poucos.
Marielle, como muitas outras mulheres, deu a vida pela causa, pois incomodou o sistema de poder que impõe sofrimento e dor. Enquanto mulher, negra, homossexual e da periferia, rompeu todas as barreiras que o mundo lhe impôs, colocando para conversar a academia e a rua, num trabalho de pesquisa digno de nota que culminou na sua dissertação de mestrado. Marielle mostrou mais uma vez que quem traz no corpo essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida, e por isso vale a luta.
Que a força de Marielle brote em cada uma, para que se enfrente a violência doméstica, a diferença salarial, o desnivelamento de tratamento, o domínio dos corpos e o controle de condutas, que tanto incomodam a muitos que ainda querem manter uma sociedade patriarcal, misógina e machista, mesmo que de maneira sutil e cínica. O futuro está no feminino.
*A autora é advogada e mestranda FDV
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