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Quando a imbecilidade é mais importante do que a educação

A solução vai acontecer para o Brasil quando os próximos presidentes assumirem a herança dos seus antepassados e fizer do seu governo um grande legado

Publicado em 16/05/2019 às 17h08
Atualizado em 06/10/2019 às 04h05

O presidente Jair Bolsonaro

Thales Aguiar*

Dizem alguns filósofos que estamos vivenciando momentos onde os ignorantes se sentem orgulhosos de suas imbecilidades. A cinco meses de exercício do atual governo, o plano apresentado à população brasileira é apenas um conjunto de promessas factóides e uma tentativa de muitos cortes no orçamento da União.

Vivemos a indicação de uma economia em retração e de um presidente que tem conseguido convencer tanta gente (educada) de que o conhecimento científico não vale a pena. Que o diploma é uma bobagem e que a pesquisa científica é um atraso. Mesmo quando relatórios apontam que as instituições públicas desenvolvem extraordinárias pesquisas no Brasil.

 

Que o trabalhador deve abrir mãos dos seus direitos (trabalhar mais e ganhar menos) porque os empresários estão sobrecarregados. Ele acredita que o racismo não existe mesmo quando fomos o último país a libertar os escravos na América Latina. Diz ser a homofobia uma conversa fiada onde os índices de assassinatos de homossexuais é um dos maiores do mundo.

Confunde policial bem formado com milicianos e grupos de extermínios. Prefere matar a investir em segurança pública, onde os índices de assassinatos batem recordes a cada ano que passa. Exorta que a igualdade de gêneros é uma besteira, que a mulher tem de ganhar menos porque perde tempo engravidando e o feminicídio é uma baboseira, mesmo quando os indicadores apontam que a taxa de mortalidade de uma mulher assassinada pelo seu ex-cônjuge é a quinta maior do mundo.

Ele acredita que a saúde pública deve ser privatizada mesmo quando a renda per capita de toda população brasileira em muitos dos Estados do país não chega a um salário mínimo. Ele é convicto de que a natureza e seus recursos naturais devem ser explorados cada vez mais, mesmo quando existem grandes áreas de preservação permanentes e que esses recursos jamais serão recuperados.

Um presidente que adota como seu aconselhador um “filósofo” que nunca passou por uma universidade e que a reforma da Previdência Social beneficiará de todas as formas os mais pobres. Quando um presidente chama milhares de estudantes de “idiotas úteis” é a confirmação final de que a educação não tem nenhuma utilidade no progresso de um país.

Agora, eu estou convicto de que estamos literalmente no fundo do poço. Este é um governo sem patriotismo, sem seriedade e, principalmente, sem criatividade. Um governo de figuras exóticas e sem conhecimento. E notoriamente uma população que adota qualquer extremismo político ao invés da cidadania não pode ser merecedora de ter bons governantes.

A solução vai acontecer para o Brasil quando os próximos presidentes assumirem a herança dos seus antepassados e fizer do seu governo um grande legado para o próximo (a) que virá. Contrário a isso, eu mais uma vez estou convicto assim como o renomado filósofo Victor Hugo: “Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa”.

*O autor é jornalista e escritor

 

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