
Luiz Fernando Schettino*
Mais uma semana de meio ambiente e, infelizmente, há pouco para se comemorar em razão dos descasos e absurdos que vêm ocorrendo em relação à natureza, tais como: a disparada do desmatamento na Amazônia; a liberação acentuada de agrotóxicos; a tentativa nefasta de mudar o código florestal e categorias de unidades de conservação visando fins só econômicos; a redução da fiscalização ambiental que sinaliza que destruir a natureza compensa; as mudanças no funcionamento e ação de órgãos fundamentais na proteção ambiental; a redução indevida da participação da sociedade no Conselho Nacional do Meio Ambiente; e a negação da ação humana no aquecimento global, principalmente, por governantes e instituições que deveriam prezar por cuidar e não por desconsiderar a natureza.
Inacreditavelmente, ao contrário do que se imaginava para este Terceiro Milênio, de que haveria a realização de um esforço global pela sustentabilidade, tendo em vista que a natureza já está por demais agredida. E que, sabidamente, o meio ambiente é a base da vida e de qualquer tipo de atividade socioeconômica.
Além de já existir conhecimentos, tecnologias e legislações disponíveis que permitem uma relação equilibrada entre o atendimento das demandas humanas e os limites que os ecossistemas estabelecem para continuarem a funcionar ao longo do tempo, bem como suas recuperações quando necessário.
Porém, alguns governantes, instituições e setores empreendedores parecem não querer se dar conta de que a proteção ambiental, além de vital, é fundamental para ajudar na retomada do crescimento socioeconômico.
Para isto, deve-se fiscalizar e fazer cumprir as leis, priorizar a educação ambiental para haver mais consciência ambiental na sociedade e incentivar o uso de tecnologias inovadoras, para que haja, de fato, sustentabilidade nos processos produtivos. E, com isso, estimular atividades socioeconômicas sustentáveis para ajudar a acelerar o crescimento econômico do país, proporcionando mais empregos, renda e tributos, com mínimos impactos socioambientais o que pode permitir a manutenção e até a melhoria da qualidade de vida.
Em suma, não se pode brincar com a natureza, pois seu equilíbrio se forjou ao longo de milhões de anos e quando rompido traz consequências. Ou seja, o ambiente não é deste ou daquele governo, desta ou daquela ideologia, é de todas as gerações de hoje e as do amanhã. Por isso, é preciso que seja assumida a sustentabilidade como bandeira de todos, pois daí que nascerá o desenvolvimento sustentável.
*O autor é engenheiro florestal, professor da Ufes e ex-secretário da Seama