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Artigo de Opinião

Economia

Previdência: Governo não acredita que você pode poupar para o futuro

Quando você trabalha e gera o seu dinheiro, deveria ser capaz de definir quanto você quer guardar para o seu futuro e com qual rentabilidade

Publicado em 26 de Junho de 2019 às 16:43

Publicado em 

26 jun 2019 às 16:43
Fachada do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS)
Bernardo Bastos Vieira*
A maioria da população que contribui compulsoriamente para a Previdência Social imagina que seu dinheiro está sendo guardado e aplicado para garantir sua aposentadoria no futuro. Infelizmente, a soma total arrecadada mensalmente pelos trabalhadores ativos ao INSS desde 2015 não é suficiente para pagar nem a conta de quem já está aposentado, e não tem saldo acumulado. Esse déficit anual supera os R$ 250 bilhões. O que está acontecendo? Temos tantos idosos assim?
Não. O Brasil está entre os países mais jovens do mundo. Hoje, segundo o IBGE, os idosos representam apenas 13% da população brasileira, enquanto em muitos dos países desenvolvidos esse percentual já ultrapassa 20% de idosos. A projeção é que em 2060 esse número alcançará 33% em nosso país. Hoje, já gastamos três vezes mais com Previdência do que o necessário!
Parte da resposta a esse enigma, em sua causa raiz, passa pelo equívoco de acharmos que existe dinheiro público e de que o governo é capaz de gerar alguma riqueza. Essas premissas equivocadas permitiram a criação de direitos sociais insustentáveis e de privilégios inconcebíveis, agravados pela crise econômica que reduziu o número de pessoas empregadas contribuindo com o sistema.
Atualmente, as regras e benefícios são muito diferentes entre trabalhadores da área urbana e rural, setor público e privado, civis e militares. O resultado disso é a disparidade apresentada nas contas da Previdência. Na tentativa de beneficiar determinados grupos, a arrecadação se apresenta inferior a despesa em todos os grupos, principalmente nas previdências rural e militar.
O sistema dos militares e dos trabalhadores rurais arrecadam menos de 10% do que gastam com benefícios. Com esse déficit, hoje a Previdência Social representa 52% de todos os gastos do governo. Mais da metade dos impostos vai para o sustento dos aposentados, e só tende a aumentar.
E agora, como resolver essa situação calamitosa? Cobrar mais impostos da população que já paga uma das maiores tributações do mundo? Reformar as regras para suavizar as contas e tentar acabar com o déficit, ou acabar de vez com a Previdência Social pública?
Quando você trabalha e gera o seu dinheiro, deveria ser capaz de definir quanto você quer guardar para o seu futuro e com qual rentabilidade. Infelizmente, o governo não acredita que eu e você temos capacidade para isso e nos obriga a entregar parte do nosso dinheiro para que eles o façam por nós. Está na hora de acabarmos de vez com esse paternalismo caridoso, pois esse suposto pai se comporta com extrema perversidade e ineficiência. Um pai capaz de tantas incapacidades.
*O autor é consultor, engenheiro de produção pela UFV e MBA em Gestão Empresarial pela FGV
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