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Artigo de Opinião

Tragédias

Prazer, sou a mineração! Ou seria o tráfico?!

Das vidas ceifadas, rotinas interrompidas, choros eternos e sonhos soterrados, ficam a tristeza, o luto e a indignação

Publicado em 23 de Fevereiro de 2019 às 00:26

Publicado em 

23 fev 2019 às 00:26
Indústria de mineração
Paulo Brandão*
Eles empregam. Colocam muito dinheiro para circular, geram renda nas várias localidades onde se instalam. Formam um empreendimento poderoso e antigo. Com um nome forte e conhecido no mercado, dominam e controlam sua área de atuação e possuem um organizado sistema logístico para escoar sua produção. Mesmo em época de crise e desemprego o seu negócio bomba.
Caracterizam-se pela ruptura e descontinuidade. Para que um produto novo nasça é preciso que algo seja descartado, jogado fora ou destruído. Por isso, são vistos com suspeita por grupos de pressão da sociedade, precisam ser fiscalizados por órgãos do governo e recebem criticas de segmentos intelectuais que exigem que sejam paralisadas as suas ações devido ao mal que causam na vida de muitas espécies vivas.
Para atuar com certa tranquilidade, geralmente mantém uma “relação familiar” e amistosa com certos agentes públicos de controle e gestão, que deveriam atuar, fiscalizar e até prender os seus mentores e executores dessa perversa empresa, que age de forma irregular e até criminosa.
Os danos podem ser invisíveis e lentos ou mesmo imediato e devastador. De uma só vez muitas vidas podem ser ceifadas pela ganância de seus interesses escusos e pela forma como exploram as nossas riquezas. Os seus agentes são tão cirúrgicos e dificilmente os que sofrem com a atuação dos mesmos não conseguem se regenerar. O lucro está acima de tudo e de todos. Neste empreendimento, o nascimento do novo exige a morte do velho.
A exploração de um determinado território é tão profunda e forte que só sobram restos e escombros. Às vezes, em um só golpe, viras um monte de ossos às tantas vidas ceifadas. Para se regenerarem, se passam de bom moço. Por meio da já conhecida contrapartida social, passam para os mais necessitados, penduricalhos que os tornam mais dependentes e necessitados ainda dos mesmos.
No entanto, só alguns se beneficiam com a riqueza produzida por meio da exploração de tantas vidas. Os que sofrem são os afetados com a dor de tanta agonia. Eles não podem ser recompensados, pois os danos são muitos, incalculáveis e as perdas irreparáveis. Das vidas ceifadas, rotinas interrompidas, choros eternos e sonhos soterrados, ficam a tristeza, o luto e a indignação e uma ferida profunda na alma de todos nós.
A história se repete. O passado recente mudo, agonizante, grita, sufocado que estava preso a garganta. Mas o passado, nesta sociedade do risco, perde seu poder de determinar o presente. O que passou é apagado das memórias.
Presos às amarras do seu falso discurso, os filhos dessa geração estão condenados, pois dependem do emprego e dos auxílios. Exploram o que temos de melhor e mais rico: nossas vidas e riquezas. Só nos entregam escombros e um rastro sombrio de morte por onde passam. Arrasam tudo. Eis o seu nome: mineração... Ou seria tráfico de drogas?!
*O autor é filósofo e sociólogo
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