
Vitor de Angelo*
Hoje, comemoramos o Dia Mundial da Educação, data estabelecida em 2000 para celebrar a importância da educação e provocar na sociedade uma reflexão sobre essa área fundamental para o desenvolvimento humano, social e econômico. Para o Brasil - em plena vigência do Plano Nacional de Educação - é um dia para examinarmos o que esperamos, como sociedade, da educação em nosso país.
Dados de 2019 da Secretaria da Educação do Espírito Santo revelam que 65,87% dos responsáveis por alunos matriculados em unidades de ensino em tempo integral compreendem que a escola deve oferecer “boa preparação para o futuro” – geralmente entendido como mundo do trabalho. Tal dado é ainda mais interessante quando sabemos que 85% dos trabalhos que existirão em 2030 nem sequer foram “inventados”, segundo estudo do Institute For The Future/DELL divulgado em janeiro último.
Pesquisa da ONG Oxfam Brasil/Datafolha divulgada no início deste mês revelou que 80% dos entrevistados consideram que o progresso do país está condicionado à redução das desigualdades. Sobre as medidas prioritárias para combatê-las, os entrevistados atribuíram nota 9,6 à educação, numa escala de 0 a 10. Mas quando perguntados sobre as prioridades que levariam à melhoria de suas vidas, “fé religiosa” aparece como fator principal, com 28% das respostas – à frente da opção “estudar”.
Esse descompasso revela uma percepção difusa sobre o potencial transformador da educação no curto prazo. Há um relativo consenso sobre sua importância para o futuro, mas nem tanto para o presente, o que torna ainda mais difícil mobilizar a sociedade em torno da agenda de prioridades para a área, dado que seu retorno imediato nem sempre é tão visível. Isso enfraquece um dos principais fatores de accountability sobre o gestor público, que é o controle social, tornando os resultados positivos de longo prazo da educação um futuro cada vez mais distante de ser alcançado.
Por isso, o aspecto que gostaria de sublinhar neste Dia Mundial da Educação são os ganhos que ela pode nos proporcionar também no curto prazo – seja na alfabetização, na diminuição da exposição à violência letal ou no aumento salarial por ano a mais de estudo. Conferir destaque a esse aspecto muitas vezes negligenciado, numa área em que os resultados, no geral, são obtidos quase sempre a longo prazo, é fundamental para mobilizar a sociedade em torno dos principais desafios da educação e aumentar a chance de que suas expectativas futuras se concretizem.
*O autor é secretário de Estado da Educação do Espírito Santo