
Gustavo Genelhu*
Em tempos de supervalorização da beleza e da juventude, vivemos num mundo em que o envelhecimento é visto, muitas vezes, de forma pejorativa, e outras tantas vezes sob a ótica do medo. A busca incessante pelo rejuvenescimento trava uma luta severa e angustiante contra o agir do tempo.
Mas o fato é que todos irão envelhecer, a menos que morram jovens. E acredito que ninguém deseja isso para si mesmo. Portanto, encarar a terceira idade de forma mais leve e otimista já é um ótimo começo para se viver bem quando ela finalmente chegar.
Um estudo global da organização Orb Media revelou que pessoas com visões positivas da velhice tendem a viver mais e com melhor saúde mental e física do que aquelas que enxergam essa fase com negatividade.
É fato que a forma como as pessoas lidam com o envelhecimento pode trazer muitos benefícios, principalmente em relação às doenças psiquiátricas. Aqueles que apresentam um comportamento mais otimista em relação à velhice são menos depressivos, têm uma qualidade de sono melhor, tornam-se mais dispostas às atividades físicas e, a partir daí, têm vários ganhos indiretos.
Segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde, 60% das pessoas em 57 países têm opiniões negativas com relação a esse assunto. Com o avanço da idade é natural que as limitações apareçam, mas boa parte não se prepara para isso. Enquanto a terceira idade não chega, há muito o que fazer em vez de só pensar nela com desprezo e medo.
Se, individualmente, na nossa juventude e na vida adulta, não nos prepararmos fisicamente e economicamente para o envelhecimento, iremos sentir mais as consequências.
Por isso, desde cedo precisamos preparar nosso corpo, nossa mente e nosso bolso para essa fase da vida que, acreditem, pode ser muito boa. E o melhor de tudo é que podemos alcançar esses objetivos com fórmulas bem simples: boa alimentação, atividade física, dar um basta ao isolamento, ter um bom convívio social e frequentar periodicamente seu médico para buscar as prevenções, seja ele clínico, geriatra ou cardiologista. E, assim, chegar à melhor idade com muito ainda o que viver.
*O autor é médico geriatra