
Antônio Ricardo Freislebem*
Em publicação recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que tratava da probabilidade de automação das ocupações no Brasil, ficou evidente a necessidade de o país repensar as suas políticas públicas relativas ao emprego. O estudo revela que grande parte das ocupações formais de hoje pode ser automatizada nos próximos anos.
Quanto menor o nível de “preparo” dos trabalhadores em termos de habilidades, competências e escolaridade, maior a probabilidade de automação naquela ocupação. Por exemplo: tarefas rotineiras e com poucos detalhes para a sua execução requerem pouca preparação do trabalhador para a sua execução e, portanto, são facilmente automatizadas.
Para ser mais preciso, cerca de 54,4% das
. Para aquelas ocupações que exigem pouco preparo, a probabilidade é superior a 80%, enquanto nas ocupações que exigem maior “preparo” essa mesma probabilidade fica próxima de 15%.
Os dados utilizados pelo Ipea são da Relação Anual de Informações Sociais – Rais 2017. Mas esse não é um problema só nosso. Ocorre em todo o mundo. Na Finlândia chega a 36% e, nos Estados Unidos, a 47%, e em países vizinhos é superior, como no Uruguai (63%), Paraguai (64%), Argentina (65%), Bolívia (67%) e Equador (69%). Se somarmos a esse quadro o número de trabalhadores brasileiros que hoje estão na informalidade (aproximadamente 40% segundo o Ipea) e os desocupados (12,7% no 1º trimestre de 2019, segundo o IBGE), temos um cenário preocupante.
Políticas públicas precisam ser implementadas urgentemente, focando o desenvolvimento de habilidades e competências da nossa força de trabalho. Importante saber que o governo do Estado coloca como prioridade em seu Planejamento Estratégico desafios a serem enfrentados, alinhados ao combate a esse cenário que se desenha, entre os quais destaca-se: a melhoria da competitividade, do ambiente de negócios e da inovação no estado; atração de novos investimentos e desenvolvimento de setores produtivos.
Capacitar empreendedores e facilitar a abertura de novos negócios próprios nunca foi tão importante. Precisamos abrir novos mercados, pois nosso mercado consumidor (local) é pequeno, diversificar nossa pauta exportadora, capacitar/qualificar nossos trabalhadores e agregar valor aos nossos produtos. O ambiente de negócios é cada vez mais tecnológico e precisamos acompanhar as mudanças que ocorrem num ritmo cada vez mais acelerado. Sem inovação, estaremos correndo grande risco de perdermos essa batalha.
*O autor é professor universitário