
Gutman Uchôa de Mendonça*
Já faz um tempo que o nível do desemprego no Brasil está na casa dos 13 milhões de pessoas. Os números são elevados para uma nação que tem tudo para ter um desenvolvimento sustentável, não só pelas suas formidáveis reservas minerais, mas também devido à exuberância do solo para a agricultura, que faz do país a quarta área mais propícia à produção de alimentos do mundo.
Em recente palestra, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou sobre as exportações de commodities sem qualquer tipo de beneficiamento, ou seja, transmitindo a capacidade de produzir empregos para países importadores das nossas matérias-primas.
Sabe-se, por exemplo, que a Alemanha é o maior mercado mundial no campo da comercialização do café. Como um país tão rico, a terceira economia do mundo, comercializa café se não o produz? Trata-se de uma das maiores potências industriais do mundo, em todos os campos, que botou a inteligência de seus empresários para funcionar e beneficiar o produto.
A Argentina, que produz a metade da soja do Brasil, ganha mais com sua exportação porque promove o esmagamento dos grãos, para o refino, exportando também o óleo e, com isso, gerando emprego e um maior valor agregado.
O governo brasileiro não incentiva a produção dos chamados carros elétricos porque vai perder na comercialização da gasolina, mesmo sabendo que o nosso combustível é um dos mais caros do mundo e que as projeções indicam que em 20 anos 80% dos veículos em circulação já serão movidos à eletricidade.
O grave problema brasileiro (dizem que mundial também) é a deterioração da qualidade dos políticos. As pessoas com maiores possibilidades de promover o desenvolvimento estão se encolhendo. É verdade que no quadro político há pessoas de qualidade, que poderiam dar importante contribuição ao desenvolvimento, mas não não conseguem nem concorrer. Acima dos interesses pessoais ou políticos, deve prevalecer sempre o interesse do Estado, da nação. Enquanto não tivermos essa conscientização, não haverá esperanças.
*O autor é jornalista