
Tayana Dantas*
Ao observarmos a nossa história, é possível notar que, desde a queda do império, momentos de instabilidade política, econômica e social contribuem para o discurso mudancista e abrem portas para a entrada de novos representantes no poder público.
A ideia de faxina geral começou lá em Jânio Quadros, com o “Varre, varre, vassourinha”, passou pela “caça aos marajás” de Fernando Collor e, logo em seguida, pelos caras-pintadas que queriam cassar o mesmo Collor. Mais recentemente, tivemos os gritos de “não é por 20 centavos” das manifestações de 2013 e chegamos ao “troca tudo” de 2018. Mas será que a renovação quantitativa é capaz de transformar as práticas políticas?
Segundo a pesquisa “Brasil em números: um estudo sobre a rotatividade do Congresso Nacional entre 1990 e 2014”, temos uma das maiores rotatividades no Legislativo do mundo. Então, se a renovação dos políticos é cíclica, por que a renovação de práticas ainda parece tão distante?
O acompanhamento e a fiscalização dos mandatos por por parte de cada um é essencial. As pessoas falam da política como se fosse responsabilidade apenas do “outro”. Mas essa mudança e essa renovação dependem também da atuação de cada um de nós. Se os privilégios são um grande fator de incômodo, então é necessário dissolver a cultura de privilégios, utilizando no setor público práticas de resultados, de seleção de pessoal e de avaliação de desempenho que se assemelhem a práticas da iniciativa privada.
Para se conquistar um emprego você precisa ter um bom currículo, capacitação, passar por entrevistas. Por que não utilizar o mesmo grau de exigência quando escolhemos quem vai legislar e gerir nossas cidades, Estado e país?
Os líderes da nova política não são aqueles que possuem todas as respostas, que dominam a arte da ironia e da manipulação de emoções. Esses são os políticos de sempre. Os líderes da nova política são aqueles que ampliam a participação da população, apresentando políticas públicas baseadas em evidências científicas, que constroem diagnósticos e soluções colaborativas - porque entendem que as cidades são as pessoas, e que só através do protagonismo delas uma nova cidade e um novo país podem surgir.
A nova política não é um conjunto de novos políticos, nem simplesmente a entrada de alguns cidadãos comuns na política. A nova política passa pela consciência e participação de cada um. E os novos líderes são aqueles capazes de inspirar as pessoas não a segui-los, mas a protagonizarem o debate e a transformação em seu dia a dia.
*A autora é fundadora do Movimento Vila Nova