Gutman Uchôa de Mendonça*
Sou do tempo, embora distante, em que existia em São Mateus um estaleiro naval, de propriedade de Eleosippo Cunha (conhecido como o rei da madeira, filho do Barão de Aimorés). Até o Km 14, o Rio Cricaré era navegável. Navegável também era o Rio Doce até a localidade de Mascarenhas, à margem esquerda, subindo o leito. Outro exemplo era o Rio Santa Maria, com um formidável entreposto de mercadorias vindas da Alemanha.
Até a década de 1960, o grosso da comercialização da costa brasileira era feita por navios de cabotagem. Aos poucos, tais embarcações foram sendo abandonadas, como o “Serafim Donato”, “Lude”, “Barão de Aimorés”, ”Miranda” e tantos outros de relevantes serviços, como a frota do Lloyde Brasileiro, com seus navios de cabotagem pela costa.
Com os anos, os caminhões foram se espalhando, tomando conta das rodovias esburacadas do território nacional. Raras rodovias, ainda hoje, podem ser consideradas decentes no país. Muitas servem para tristes espetáculos, como a BR 101, com seus transportes de imensos blocos de granito, matando de forma impiedosa.
A sucessão de governantes despreparados e desonestos fez com que os navios de cabotagem desaparecessem, abandonados à própria sorte, apodrecendo, encalhados nos portos, em rios assoreados de forma criminosa, sem qualquer projeto de recuperação.
O que houve no Brasil foi o exercício da mediocridade no poder. Transformaram a nação brasileira numa impressionante e monstruosa cabide de empregos. Milhares e milhares de carimbos e impostos.
Agora mesmo o governo Bolsonaro está anunciando que vai criar um mecanismo de alta tecnologia no campo da computação para reunir cinco obrigações fiscais. Isso mesmo num país com milhares de analfabetos funcionais, mas, ao mesmo tempo, dezenas de impostos.
Voltando ao tema do artigo, as vias navegáveis brasileiras são imensas, as maiores do planeta, mas estão abandonadas à própria sorte. Devíamos olhar exemplos de Alemanha, França, Espanha, Estados Unidos e Japão para ver como funcionavam suas vias navegáveis. É um mundo à parte.
*O autor é jornalista