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Artigo de Opinião

Ciência

Nanotecnologia revoluciona a medicina, mas no Brasil ainda engatinha

São necessários mais investimentos em pesquisa em nosso país para que a tecnologia esteja ao alcance de todos

Publicado em 29 de Maio de 2019 às 18:15

Publicado em 

29 mai 2019 às 18:15
Nanotecnologia
Sílvia Hees de Carvalho*
Fascinante, a nanotecnologia tem proporcionado uma revolução na Medicina. Infelizmente, o Brasil ainda dispõe de parcos recursos para a área. São necessários mais investimentos em pesquisa em nosso país para que novas tecnologias estejam ao alcance de todos.
Mas o que as nanoestruturas têm de especial? Um nanômetro é milionésima parte do milímetro. Para se ter noção, um átomo possui geralmente 0,1 nanômetro. As nanoestruturas apresentam propriedades diferentes e maior superfície de ação, comparadas às estruturas convencionais, de maiores dimensões. A nanotecnologia consagrou o “teranóstico”: diagnóstico em que o princípio ativo da medicação é liberado de forma gradativa para o alvo certo, como células cancerígenas, o que aumenta a eficácia, diminui a toxicidade e permite o espaçamento entre doses. Um avanço na oncologia e em diferentes áreas médicas.
O marco da nanotecnologia foi em 1959, no Instituto de Tecnologia da Califórnia, com a palestra do físico Richard Feynman, que sugeriu ser factível manipular átomos, criando-se novas matérias.
A despeito dos investimentos em nanotecnologia no Brasil, de haver ao menos 16 Institutos de Ciência e Tecnologia e mais de 2.500 pesquisadores na área, em relação à medicina tropical, a realidade é dura. Pude constatar isso ao visitar laboratórios coordenados por renomados cientistas ligados à área, como dra Neila Pereira, da UFBA, e dr Frédéric Frézard, da UFMG. Bem diferente do que pude verificar ao palestrar, ao lado do estudante de Medicina, Gabriel Carvalho, no Global Experts Meeting on Frontiers in Nanomedicine and Drug Delivery, em Londres, em março agora, que reuniu especialistas de todo mundo. Pude conferir o primoroso trabalho do doutor Alexander Seifalian, diretor de um conceituado laboratório de nanotecnologia sediado em Londres, que usa impressoras 3D e células tronco para reconstituição de órgãos - algo utópico para quem atende leishmaniose tegumentar (doença potencialmente desconfigurante que acomete mais de 27.000 pessoas no Brasil anualmente), em que a cirurgia não é possível, pois não se pode eliminar o parasita do organismo.
Enfrentamos ainda a falácia de que a anfotericina lipossomal (droga nanotecnológica para leishmanioses), incontestavelmente superior, não é primeira escolha para a forma visceral da leishmaniose, segundo diretrizes nacionais, por ser dispendiosa. Custo não é critério de escolha terapêutica! Tratamentos convencionais podem levar à morte, entre muitas alterações, como insuficiência renal irreversível. Por isso, investir em pesquisas nessa área é tão importante para o país.
*A autora é médica infectologista
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