
Tayana Dantas*
As estatísticas nos entristecem e nos envergonham. No Espírito Santo aconteceram 92 crimes violentos contra mulheres em 2018. Levantamento feito recentemente pelo Ministério Público Estadual mostra que 30,5% das mortes violentas de mulheres foram registradas dentro de casa ou no trabalho no ano passado.
Recentemente, vimos mais uma onda de casos assustadores. E por trás de cada número da estatística há uma história de dor. Em Vila Velha, uma vítima foi esfaqueada na frente do filho no Dia das Mães. Em Sooretama, uma diarista teve o maxilar quebrado e o rosto desfigurado ao ser agredida pelo marido e abandonada em um matagal.
Um passo importante para acabar com o ciclo de violência é romper com o silêncio. É preciso denunciar os casos de agressão. Incentivar que mulheres rompam esse silêncio é salvar vidas.
A Lei Maria da Penha, que completa 13 anos agora em 2019, representa um importante avanço na defesa das mulheres vítimas de violência. O que eu defendo é um passo à frente nessa legislação. Como forma de preservar a mulher e talvez até incentivá-la a denunciar os casos de violência, seria importante que o nome da vítima não aparecesse nos registros processuais que tratam de casos dessa natureza.
O que proponho para reflexão de nossos legisladores é o sigilo da vítima como forma de preservá-la, como forma de evitar exposições constrangedoras em ambientes diversos, em especial no ambiente de trabalho. Não podemos estigmatizar a vítima. É preciso dar à mulher a liberdade de ser ou não identificada.
Até porque um crime de violência contra mulher, quando denunciado, não torna apenas o agressor culpado. A verdade é que sempre há um pouquinho de culpa atribuída a vítima. Comentários do tipo “ela apanhou porque gosta”, “ela provoca” ou “ela age como uma louca” são preconceituosos, mas ainda muito presentes. A mulher que denuncia muitas vezes é julgada até mesmo dentro da sua família.
Essa liberdade de decidir se quer ou não a exposição de seu nome, de sua história, de sua dor, pode fazer aumentar o número de denúncias, como citei acima, porque pode ser um fator encorajador. Muitas vezes, o silêncio em uma relação abusiva não é rompido por conta de uma série de dependências, sendo uma delas a dependência financeira. Libertar essa mulher de uma exposição excessiva pode facilitar a abertura de novas portas, sem o julgamento inquisidor muitas vezes presente no nosso dia a dia.
*A autora é fundadora do Movimento Vila Nova