Manoel Goes*
Mais uma morte prematura choca todo o país. Morreu aos 28 anos o cantor sertanejo Gabriel Diniz, após o avião em que ele estava cair no interior de Sergipe. Vivia uma carreia meteórica com o sucesso musical “Jenifer”, que o projetou no final do ano passado, com um clipe visto mais de 240 milhões de vezes no YouTube. Uma celebridade de um só sucesso.
É natural quando morrem artistas ou personalidades aos 80, 90 anos de idade, recebermos com naturalidade a notícia, afinal deixam o seu legado, suas obras, conquistas realizadas e toda uma história de sucesso. Mas a mesma reação, naturalmente, não temos quando se perde um jovem artista de grande sucesso, que não teve tempo para mostrar mais do seu talento.
O caso do cantor Gabriel Diniz, no auge da carreira, perdendo a vida de forma abrupta e sendo impedido de continuar a sua carreira promissora, provocou comoção nacional, da mesma forma que a notícia da morte dos integrantes dos Mamonas Assassinas em 1996, como a do cantor sertanejo Cristiano Araujo e da sua namorada em 2015.
Pessoas famosas, quando morrem, realmente conseguem deixar um país inteiro de luto, no caso de celebridades como Ayrton Senna (1994), Michael Jackson (2009), um planeta inteiro. Será que nos perguntamos o que nos leva a sofrer com a morte de uma pessoa que provavelmente nunca vimos de perto? Será que isso é apenas uma questão de solidariedade? Creio que não.
Podemos levar em conta, com a trágica morte do cantor Gabriel Diniz, que as pessoas que não conheciam o trabalho do cantor, embora comovidas com o trágico acidente que o vitimou, não passarão pelos estágios de luto como os fãs do artista, que choram, rezam e se emocionam quase como se fossem amigos íntimos dele.
Os jovens artistas têm por definição o ímpeto natural da idade e pouca experiência, são impactados pelo sucesso, fama e dinheiro. E acabam assumindo agendas que não cabem no calendário, tendo então que lançar mão de mobilidade mais rápida nas múltiplas viagens para os shows, utilizando os serviços de táxis aéreos, em aviões ou helicópteros e, infelizmente, nem sempre contratando empresas especializadas e legalizadas. Como também se servindo dos amigos fãs, que na boa intenção de ajudar no rápido deslocamento, acabam cometendo irregularidades, como por exemplo, o acidente evitado em 2018 com a apreensão do avião irregular que transportaria a cantora Cláudia Leitte e o trágico acidente com o jornalista Ricardo Boechat, em 11 de fevereiro passado.
Não é muito fácil tratar a tristeza da notícia da morte de alguém que conhecemos, mas devemos nos lembrar que tende a passar com o tempo. A aceitação da morte não acontece de uma hora para outra, e é preciso que as famílias envolvidas e os amigos mais próximos tenham apoio de outras pessoas, além de tudo, tenham a sua privacidade respeitada. Façamos nesses momentos reflexões a respeito da morte. E devemos lembrar que na vida nem sempre a velocidade é a solução. Devemos em certos momentos retroceder, para com segurança avançarmos nos nossos projetos de vida.
* O autor é presidente do Instituto Histórico Geografico de Vila Velha (IHGVV) e diretor no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES)