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Morro de inveja do Jean Wyllys. E do usuário de Transcol refrigerado

Tenho, ai de mim, muitas outras pecaminosas invejas. Inveja, por exemplo, de quem é desafinado, mas não se convence disso

Publicado em 02/08/2019 às 21h49
Jean Wyllys, indicado para receber o título de Cidadão Espírito-Santense: na mira de deputados de direita na Assembleia. Crédito: Divulgação
Jean Wyllys, indicado para receber o título de Cidadão Espírito-Santense: na mira de deputados de direita na Assembleia. Crédito: Divulgação

Eu pecador me confesso, mas não posso deixar de sentir uma inveja danada da felicidade de Jean Wyllys quando soube que os nossos deputados lhe conferiram o título de cidadão capixaba. Tudo bem que o ex-deputado e ex-vencedor do Big Brother é apenas mais um no contêiner de quase duas mil figuras agraciadas, somente neste ano. Um invejável combo legislativo de oba-oba. Mas e daí? Caetano não disse que muito é muito pouco?

Tenho, ai de mim, muitas outras pecaminosas invejas. Inveja, por exemplo, de quem é desafinado, mas não se convence disso. Nossas famílias estão repletas de figuras assim. E se lhes contam, sorriem. E continuam cantando. Doa no ouvido de quem doer. Sabe as mães que, quando anoitece, chamam os filhos para dentro de casa porque “já começou a serenar e vocês vão acabar se gripando”? Pois é, morro de inveja de quem trata o sereno como ameaça. E as milenares histórias infantis como catecismo do crime.

Invejo também as moças de hoje em dia que inventaram de fazer de um feixe de cordões azuis uma estranha e psicodélica peruca. E assim passeiam pela cidade, cheias de charme, com a certeza que ficam ainda mais bonitas.

E uma super inveja de quem tem um pé de araçá no quintal. E de quem tem quintal, claro. E os gentis homens de meia idade que tingem seus cabelos de marrom-Nugget?

E que inveja braba eu tenho de crianças na primeira infância! Não só pelo tatibitate e nem pela carinha de quero mais. Mas pela absoluta falta de cerimônia. Benza Deus! Tiram meleca do nariz como se tirassem um docinho da mesa de aniversário. E quando elas soltam um pum, olham pra mãe e sorriem felizes. Coisa mais linda não há.

E uma super inveja de quem tem um pé de araçá no quintal. E de quem tem quintal, claro. E os gentis homens de meia idade que tingem seus cabelos de marrom-Nugget? Saem desfilando sua mocidade por aí, sempre achando que o tom não poderia ter ficado mais natural. Morro de inveja de todos eles.

E dos elevadores. De todas as marcas e velocidades, eles me provocam invejas sem fim. Por um motivo único: elevadores não padecem de alergia. De seus narizes não saem um mínimo espirro. De suas gargantas, nenhum pigarro e seus olhos não sabem o que é marejar. Sobem e descem todo o tempo e não estão nem aí para a invasão multi-aromática de seus cheirosos passageiros. Desde os primeiros albores do amanhecer, antes até do cantar do galo. Sem preconceitos. De Gucci a Jequiti, eles andam lotados.

E por falar em pigarro. Como não sentir uma inveja mentolada de todos aqueles que ainda usam pastilhas Valda para a dor de garganta?

E vai dizer que você não inveja o autor de um belo gol de bicicleta, Woody Allen dando show em cada conto que escreve e a performance de um brilhante assobiador?

Digam-me se é ou não razão para qualquer um se rasgar de inveja de quem vai usar, daqui pra frente, os ônibus do Transcol? Para comemorar a chegada do inverno, o governo resolveu empatar com a natureza e prometeu refrigerar toda a frota para a temporada. Que tal lareiras no verão?

 

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