Eduardo Araújo*
O Espírito Santo deve encerrar a década com crescimento médio do PIB de 1,5% ao ano. A taxa é a menor desde o início da série histórica em 1947. O desempenho é inferior aos anos 80, chamada década perdida, quando se crescia em média 2,5% ao ano.
Se fosse alcançado o objetivo do Plano de Desenvolvimento ES 2025, elaborado em 2006, a renda atual deveria se ampliar em R$ 70 bilhões por ano, cerca de R$ 18 mil adicionais em média por habitante.
Por um lado, o não alcance dessa meta deve-se a eventos que fogem ao controle. O autor Nassim Taleb classifica como “Cisne Negro” alguns acontecimentos raros, impossíveis de serem previstos com base em dados históricos e que geram um impacto colossal na sociedade.
Nessa categoria estão o acidente ambiental da Samarco, os escândalos nacionais de corrupção, alteração no preço do petróleo, greves (caminhoneiros e militares) e mudanças no Fundap.
Há, porém, algumas situações que são mais controláveis. A melhoria da qualidade da infraestrutura foi apontada como aspecto crítico para elevação da competitividade estadual, segundo estudo recente do Centro de Liderança Pública (CLP).
Ou seja, para atrair mais investimentos é preciso avançar nos projetos estratégicos de logística, que incluem a ampliação de malha ferroviária, duplicação das rodovias e a instalação de novos portos.
Os representantes do legislativo federal podem ajudar na melhoria do marco regulatório. Além da reforma da previdência e tributária, há muito mais que se fazer, por exemplo, aprimorando critérios do Fundo de Participação dos Estados e da norma de licitação.
Os gestores públicos estão diante do desafio de convencer a sociedade da cota de sacrifício necessária para ampliar investimentos. E, com recursos tão escassos, o retorno socioeconômico deve ser critério determinante na escolha de obras públicas a serem priorizadas.
O foco na infraestrutura e na produtividade são condições fundamentais para um novo ciclo de prosperidade no Espírito Santo!
É economista*