Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Artigos
  • Mangueira escancarou as mazelas envernizadas da história

Artigo de Opinião

Carnaval

Mangueira escancarou as mazelas envernizadas da história

Com o samba-enredo "Histórias para ninar gente grande", escola de samba deixou tatuado na alma de todos uma semente de incômodo em relação a nossa história, nossa verdadeira origem

Publicado em 07 de Março de 2019 às 22:46

Publicado em 

07 mar 2019 às 22:46
Carnaval da Mangueira, no Rio
Verônica Bezerra*
A Estação Primeira de Mangueira, uma Escola de Samba cravada no Morro da Mangueira, próximo ao Maracanã, foi fundada em 1928 por Carlos Cachaça, Cartola e Zé Espinguela. Na sua história, já trouxe inúmeros temas para a avenida, tecendo o carnaval, com as demais agremiações, fazendo desta festa popular um misto de magia e cultura, ancorada com muita pesquisa.
Neste ano, a Mangueira apostou na decolonialidade, de uma forma que Enrique Dussel, Aníbal Quijano e Jessé de Souza jamais poderiam imaginar. Com o samba-enredo “Histórias para ninar gente grande”, trouxe para a Sapucaí o avesso da história que a história não conta, com a narrativa pelos vencidos, e não pelos vencedores. Deixou tatuado na alma de todos uma semente de incômodo em relação a nossa história, nossa verdadeira origem.
A Mangueira escancarou que as mazelas envernizadas da história precisam ser desnudadas, e o que se é e o que se tem é fruto de uma construção histórica violadora, que passou da hora de ser revisitada, para se caminhar rumo ao certo de contas. Por mais que muitos tentem negar o que aconteceu por aqui desde 1500, e insistam em reverenciar o eurocentrismo em todas as áreas, fato é que o Brasil é fruto de um processo de violação de essência, que custa caro até hoje, para a grande maioria da população brasileira.
A fatura sempre chega, ameaça o poder estabelecido, e tudo que fora construído com base na expropriação dos povos da periferia deverá ser restituído, por meio de políticas públicas que viabilizem a efetivação dos Direitos de todas e todos. Compreender os acontecimentos com base nos relatos dos vencidos é, de certo, o caminho para resgatar quem é, porque é e como pode-se seguir. Somente assim, o reencontro do “nós” para “conosco” será possível.
Para a elite, será mais difícil, pois esse processo é doloroso, inobstante seja necessário; lado outro, aos pobres, caberá o exercício de serem livres de verdade, não por concessão da realeza, mas por conquista popular. Como fez ecoar a Mangueira para o mundo, em plena terça-feira de carnaval: “Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e Malês”.
*O autor é advogada e mestranda na FDV
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados