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Artigo de Opinião

Orgulho LGBT

Lei no ES pune servidor que discriminar pessoas por orientação sexual

Negar qualquer forma de discriminação é, pois, missão da sociedade como um todo, nela incluída o poder público

Publicado em 27 de Junho de 2019 às 18:37

Publicado em 

27 jun 2019 às 18:37
Protesto contra violência contra os gays
Bruno Toledo*
Uma cidade só se afirma enquanto tal se funciona para todos e todas que nela habitam. Vem daí, aliás, a própria origem latina da palavra cidade. A tarefa da gestão pública municipal passa a ser, portanto, compreender, da forma mais abrangente possível, a dinâmica social dos territórios que compõem a cidade, dialogar com a diversidade de necessidades que diariamente surgem de seus cidadãos e mediar caminhos a serem trilhados coletivamente na direção civilizatória da inclusão, do respeito, da tolerância e da justiça.
Somente na trilha da igualdade é que uma cidade se torna o lugar onde o cotidiano de experiências e vivências seja capaz de confirmar o humano que há em nós e, assim, nos afastar da indiferença, do embrutecimento, da indignidade e das violências.
É nesse sentido que, no Dia Internacional do Orgulho LGBT, 50 anos após a revolta de Stonewall, que o município de Vitória faz história e dá hoje um significativo passo com a regulamentação da Lei 8.627, que dispõe sobre sanções administrativas a pessoas físicas e jurídicas que promoverem discriminação de pessoas em virtude de sua origem, raça, cor, idade, sexo, identidade e orientação sexual.
Os inúmeros preconceitos que tristemente marcam as relações sociais brasileiras e que legitimam toda sorte de violência contra determinados grupos sociais são construções culturais de um modelo de sociedade sobretudo fundado em desigualdades. É assim com o machismo, com o racismo e com a lgbtfobia.
Desconstruir comportamentos preconceituosos é desfazer estigmas sociais que só servem a odiosas categorizações de pessoas, negando a essência daquilo que nos une enquanto espécie: a própria condição humana. Nisso, sim, somos iguais. A dignidade que nos marca como humanos é a mesma independentemente da melanina da pele, do gênero ou da orientação sexual.
Negar qualquer forma de discriminação é, pois, missão da sociedade como um todo, nela incluída o poder público. Trata-se de tarefa das mais complexas e envolve ações na dimensão educadora-formativa, mas também responsabilizadora-pedagógica. Não podemos mais tolerar a distinção entre seres humanos, conferindo-lhes diferentes status de cidadania em função simplesmente da sua própria condição.
É dessa maneira que a regulamentação da lei 8.627 inscreve-se, de forma emblemática, no conjunto de estratégias de tornar Vitória uma cidade cada vez mais igual, numa conjugação de esforços entre oferta de políticas universalizantes e de ações afirmativas e reparadoras. Dizer não à discriminação que nos diminui é dizer sim à igualdade que nos eleva. Essa é a Vitória que queremos e pela qual trabalhamos. Uma cidade que respeita a diversidade e se orgulha da pluralidade dos seus cidadãos.
*O autor é secretário municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho de Vitória
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