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Artigo de Opinião

Mobilidade

Hora de retomar projetos para a cidade e focar no futuro

Acima de tudo, é preciso fazer do transporte público uma prioridade, ter compromisso com a nossa gente

Publicado em 11 de Fevereiro de 2019 às 15:07

Publicado em 

11 fev 2019 às 15:07
Ônibus do Transcol - integração aos outros modais é uma opção para a mobilidade urbana
Francisco de Assis Sizino*
Crescimento e concentração desordenada das populações em áreas urbanas, e estas, em sua maioria, sem histórico de planejamento, somada à ampliação da frota de carros no país trazem a necessidade de se repensar e definir políticas agressivas de mobilidade urbana.
Os engarrafamentos comuns na Grande Vitória causam prejuízos à economia, perda de produtividade, danos à saúde e poluição ambiental. Olhando para frente, observamos a urgência de se melhorar nosso transporte público, dotando-o de qualidade e aumentando sua oferta.
Retomar projetos como o da Quarta Ponte, implantar o aquaviário, mais ciclovias e o BRT (faixas exclusivas de ônibus) não podem ser retóricas políticas, mas um compromisso de agentes públicos das esferas estadual e municipais com a questão da mobilidade.
Numa rápida observação, notamos que somos a única Região Metropolitana do Sudeste que não conta com BRT ou VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). No Rio de Janeiro, por exemplo, um único VLT - que tem capacidade técnica de ser implantado em médio prazo no Espírito Santo -, comporta até 420 pessoas, pagando-se R$ 3,80. É um serviço ambientalmente correto e confortável, com segurança e até ar-condicionado nos vagões. Parcerias Público-Privadas poderiam fazer o VLT se tonar realidade em nosso Estado.
O BRT, porém, é a solução efetiva mais viável a ser adotada, visto o custo de execução, o prazo de implementação, o encurtamento do tempo das viagens e seus benefícios em geral. Os ônibus desse sistema podem circular com energia elétrica, hidrogênio ou biodiesel, além da capacidade de transportar até 180 pessoas em vias expressas, com veículos modernos. Também no Rio, é possível utilizar esse modal por R$ 4,05.
Sistemas de barcas ligando Vitória a Vila Velha e Cariacica a Vitória seriam outra solução viável, e poderia fomentar o turismo. Todo esse sistema com barcas, BRTs, ônibus e VLTs poderia ser integrado, e os serviços serem utilizados através de um bilhete único, realidade em outras cidades do Brasil, dando comodidade ao usuário.
O uso da tecnologia também deve entrar na pauta. Aplicativos que auxiliem a fluidez do trânsito, que tornem os semáforos inteligentes, como ocorre em São José dos Campos (SP), são necessários.
Acima de tudo, é preciso fazer do transporte público uma prioridade, ter compromisso com a nossa gente, que todos os dias perece no trânsito caótico.
*O autor é especialista em Gestão Pública pela Unicamp
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