
Gutman Uchôa de Mendonça*
Há alguns dias, quem passava pela Avenida Vitória, uma das mais movimentadas da capital do Estado, notou que num canteiro de obras pequeno se acotovelavam 16 trabalhadores cortando grama e limpando o canteiro central. Mas quanto custa tal serviço para os munícipes?
A GAZETA, na sua edição do dia 10 de março, informou que o Estado tem reservados, no seu orçamento, R$ 10,2 bilhões para pagamento da folha de pessoal em 2019, com 54,2 mil servidores e membros ativos. E os inativos?
Os gastos com o pessoal inativo, em 2019, serão da ordem de R$ 3,1 bilhões. Daí as obras públicas que só ficam em promessas...
De pires na mão em busca de recursos federias ou na ânsia desesperada pelos royalties da exploração do petróleo, o Estado do Espírito Santo é o retrato do Brasil, cujos administradores exerceram a magia do empreguismo como forma de sobrevivência política.
E os servidores, presentes em todos os Poderes, recebem salários, às vezes, muito maiores do que os empregados da iniciativa privada. E nem sempre os serviços são eficientes. Só o Poder Executivo tem 47.481 servidores ativos.
O contribuinte brasileiro reclama com razão de pagar impostos porque ninguém gosta de pagar e não receber nenhuma retribuição.
O Brasil é um país de contrastes. Certa parcela da sociedade, que se diz politizada, adora ditadores cubanos, venezuelanos, bolivianos, detesta os Estados Unidos, mas adoram morar lá, mesmo sabendo que é um país onde mais se exige esforço no trabalho, maior assiduidade e produtividade, tem suas fronteiras, seus portos e aeroportos invadidos por desocupados. É no mínimo estranho...
A liberdade é um negócio muito sério e poucas pessoas percebem como ela é importante. Só um país com plena liberdade pode ter uma imprensa livre, como faz A GAZETA, publicando dados e fatos importantes e relevantes, mostrando como o Estado nacional pode ser ineficiente quanto a administração de recursos, às vezes dilapidados pela corrupção.
O valor da imprensa está exatamente no exercício de sua liberdade de informar, com a mais absoluta clareza, fiel aos fatos.
*O autor é jornalista