Helvécio de Jesus Júnior*
A Venezuela é uma ditadura que esfomeia seus cidadãos enquanto seus líderes socialistas se locupletam das riquezas nacionais, notadamente, o petróleo para perpetuarem-se no poder. Via de regra as ditaduras podem ser instaladas rapidamente, dependendo dos fatores políticos, econômicos e sociais. Já para terminarem é mais difícil, pois na maioria dos casos é necessário um derramamento de sangue caso não haja uma transição de cima para baixo negociada ou com mediação internacional.
A ditadura venezuelana, apoiada no Brasil pelo PT e pelo PSOL, se consolidou com o projeto de poder de Hugo Chávez e criou nesse país, outrora rico, uma nação de miseráveis com uma inflação de mais de 10.000.000% anuais. Além disso, o desabastecimento e a falta de energia estão generalizados no país. Já há uma crise de refugiados venezuelanos fugindo da ditadura que persegue e assassina opositores políticos.
Qual a novidade nesse momento? Há rumores de que o governo de Maduro preparava-se para mandar prender o líder oposicionista Juan Guaidó. As lideranças de oposição convocaram, como reação, o povo para ir às ruas, e há um grupo de militares que desertaram em favor de Guaidó, embora esse número, ao que tudo indica, seja pequeno. Maduro tem a maior parte das Forças Armadas cooptadas com a receita do petróleo e do narcotráfico. Infelizmente, nesse país as Forças Armadas entraram para o sistema corrupto criado por Hugo Chávez e mantido por Maduro.
Além das Forças Armadas Maduro também tem o auxílio de milícias bolivarianas armadas o que torna difícil uma transição pacífica na Venezuela. Qual o cenário mais provável? Nesse momento é difícil dizer, pois é um movimento político incipiente em andamento. Caso Guaidó consiga um apoio maior de generais das Forças Armadas com numerosas tropas é possível dizer que Maduro não durará muito.
Contudo, se não conseguir provavelmente poderá ser preso e usar essa prisão para mostrar à mídia internacional como a ditadura de Maduro massacra opositores políticos. De fato, os militares serão o fiel da balança.
Somente com um apoio popular maciço e a maior parte das Forças Armadas se rebelando contra o ditador Maduro seria possível acreditar no fim desse terrível regime socialista que empobreceu uma nação inteira e transformou cidadãos em reféns.
* É doutor em História e professor da UVV