
Alberto Gavini Filho*
Há quatro décadas, Marcos Ambrósio se dedica ao artesanato de entalhe em madeira. Autodidata, aprendeu sozinho o ofício, pelo qual se interessou devido ao seu fascínio, ainda criança, pelo material. Após começar a esculpir sua obra e comercializá-la em feiras, não parou mais. Ele vive deste trabalho desde então.
A exemplo de Marcos, milhares de artesãos no Espírito Santo fazem da atividade manual seu meio de subsistência. Se contabilizados os que possuem a carteira do artesão, concedida após comprovação da habilidade, são 10.460 que comemoram, hoje, o Dia Mundial do Artesão, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Atividade milenar, uma das mais antigas do mundo, o artesanato tem o potencial de incrementar a atividade empreendedora e gerar emprego e renda para milhares de pessoas que fazem do trabalho manual não só uma arte, mas também desenvolvimento econômico. Estima-se que tal movimentação chegue a R$ 50 bilhões e sustente 10 milhões de pessoas no Brasil.
Exatamente por perceber o potencial empreendedor do artesanato, que vai além da visão assistencialista, a Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), autarquia integrada à Secretaria de Desenvolvimento, se tornou responsável pela gestão dessa atividade no Espírito Santo, que estava sob a responsabilidade da Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades).
Na Aderes, o artesanato será alvo de esforços para que alcance todo o seu potencial empreendedor. Uma das ações é a capacitação do artesão, que será feita em conjunto com o Ministério da Economia.
O Espírito Santo é um dos três Estados agraciados com esse programa, chamado “Artesanato Competitivo”, que destinará R$ 1 milhão para cada um visando à capacitação dos artesãos. Isso os tornarão mais aptos a atuar no seu segmento e conseguir resultados superiores.
É importante distinguir o artesanato do trabalho manual. Artesão é toda pessoa que produz um item sem o auxílio de processos ou itens industrializados, ou seja, totalmente com suas mãos e habilidades. Para ser reconhecido como artesão e obter sua carteira, é submetido à uma prova de habilidade. Os benefícios vão desde o reconhecimento da profissão até o acesso a políticas públicas, como espaços de exposição em feiras nacionais e estaduais, passando pela emissão de nota fiscal eletrônica.
Hoje, temos mais de 80 associações de artesanatos no ES e 15 mil famílias têm no ofício sua sobrevivência.
Somente em 2018, quase 40 mil peças foram comercializadas em tais feiras e nas lojas de artesanato, movimentando R$ 1,5 milhão no Estado. Queremos conscientizar a população sobre o ofício. Queremos valorizar a profissão e possibilitar um ambiente propício para seu crescimento. Queremos capacitar quem já vive de sua arte e atrair novos artesãos.
*O autor é diretor-presidente da Aderes, graduado em Administração e especialista em Planejamento Estratégico