Vagner Bissoli*
O filme “Bohemian Rhapsody”, que narra a trajetória de Freddie Mercury, líder do Queen e ídolo de toda uma geração de roqueiros e amantes da música, virou notícia desde que estreou, no final do ano passado.
A obra traz uma história emocionante, mas entre a glória e o drama do protagonista, é possível extrair também algumas lições de empreendedorismo, marketing e liderança.
Mercury começa transformando dificuldades em oportunidades. De funcionário do Heathrow Airport, em Londres, família humilde e conservadora, com dentes a mais que lhe causavam prejuízo estético, converteu-se no senhor de sua carreira e da banda que liderou, usando os dentes extras que Deus lhe deu para conquistar grande potência vocal.
Persistência, foco e ousadia foram outras de suas virtudes. Sem querer dar spoiler, o single “Bohemian Rhapsody” não era a preferência dos produtores para lançamento. O músico enfrentou todos para lançar o produto em que acreditava, provando que, para inovar e ter sucesso, é preciso convencer pessoas a comprar sua ideia.
Mas como narrar histórias que geram interesse? Como unir consumidores ao redor de uma marca, produto ou ideia, criando uma atmosfera que a diferencie como uma boa escolha? Talvez essas sejam importantes perguntas a serem respondidas em um mundo onde quase tudo virou commoditie.
Freddie Mercury também aponta alguns caminhos, construindo um personagem bastante exótico, por entender que histórias precisam ter elementos inesperados e que o previsível nunca rende grandes finais.
“Bohemian Rhapsody” nos faz refletir também sobre propósito, quando revela a grande paixão de Mercury pela música e pela performance. Muito além de um afã pela fama, conota seu desejo de oferecer às pessoas grandes momentos, espetáculos que as emocionem, capazes de “abrir buracos no céu”.
Trazendo para o marketing, podemos dizer que neste mundo “commoditizado” as pessoas compram cada vez menos o que você faz e muito mais o porquê você faz, como bem definiu Simon Sinek com a teoria do círculo de ouro.
Estamos em busca de experiências, muito além de produtos. “Bohemian Rhapsody” revela, então, muito mais que a biografia de um músico excêntrico e controverso. Traz um Freddie Mercury à frente do seu tempo marketing e empreendedorismo. No time for losers – não há vez para perdedores, ensinou ele em outra famosa canção. Uma lição cada dia mais atual em nosso tempo.
*O autor é gestor em Marketing e especialista em Gestão de Comunicação