Nathalia Tardin*
A instabilidade na Venezuela se arrasta desde 2013. Os negócios não se desenvolvem, companhias áreas suspenderam os voos para Caracas – e para nossa infelicidade, há muitos anos Los Roques é um lugar quase inacessível – e índices demonstram queda de peso na população, que não consegue sequer se alimentar. É inegavelmente um ambiente de guerra.
De um lado, há quem defenda que a crise teve início com a política social de Chávez, que teria elevado de maneira insustentável os gastos do Estado. Junta-se a isso a queda do preço do petróleo no mercado internacional. Ou seja, menos dinheiro entrando, e mais dinheiro saindo.
De outro lado, atribui-se a origem da crise ao boicote internacional, supostamente liderado pelos EUA como retaliação à ideologia política do governo, o que contrariaria os interesses estadunidenses no continente.
Após a liderança de Chávez, Maduro deu continuidade às políticas do antecessor, e numa conturbada eleição em maio de 2018 foi reeleito. Maduro parece ter impedido a participação de seus opositores, gerando número recorde de abstenção nas urnas e um governo não reconhecido por vários países.
Recentemente, acordamos com imagens das ruas de Caracas tomadas pela população, que não deixam dúvidas de que o povo não está satisfeito. Ao mesmo tempo, notícias de apoio da Rússia, Turquia e China a Maduro. E de partidos do Brasil.
Será que vale mesmo esse apoio? Apenas por ideologia político-partidária? A proteção do bem-estar do povo, que é a razão de ser do Estado, interesse apartidário, está definhando. O maniqueísmo esquerda-direita está prejudicando o maior interessado na sua criação: o povo.
Chegamos ao risível patamar em que a discussão política se tornou mais importante que a solução pragmática dos problemas. Gestão de governo não é quadrada, e nada impede que uma política econômica liberal, com ambiente favorável de negócios, coexista com políticas sociais que, frise-se, são humanas.
O trem está desgovernado. Maduro, quero ir pra Los Roques!
*A autora é servidora pública federal, advogada e pós-graduada em Direito Administrativo pela PUC