Poucas profissões estão tão profundamente ligadas ao sentido de humanidade quanto a Medicina. Não há como dissociar a relação médico-paciente da empatia, do acolhimento e da sensibilidade. Nos tempos atuais, em que a tecnologia se interpõe e, muitas vezes, até se sobrepõe ao contato humano, pode ser a hora de repensar a nossa forma de atuar nos consultórios e hospitais.
Medicina é vocação. Em muitos momentos, uma verdadeira missão. É preciso aliar técnica e respeito ao ser humano. Por isso, se torna essencial que, desde a sua formação, o (futuro) médico seja estimulado a refletir sobre o que ele pretende oferecer à sociedade e o que a sociedade espera dele.
Não basta sair da faculdade com conhecimento técnico. É preciso saber de gente. Mais do que isso, gostar de gente. E, assim, nos tornamos mais capazes de compreender a saúde de forma humanizada e integral.
Há quem diga que os avanços tecnológicos desumanizaram nossa profissão. O fato é que esses recursos devem ser o meio para que se ofereça um atendimento cada vez mais preciso e eficiente. Contudo, o profissional não deve nunca abrir mão da relação de atenção e confiança com o paciente. O médico é o grande artífice no ofício de cuidar das pessoas. A tecnologia, sua ferramenta.
O momento do exame clínico continua sendo primordial no dia a dia da Medicina. E é preciso resgatar o valor desse contato, assim como faz o médico de família. A essência é escutar, observar com atenção e investigar. Não basta prescrever medicamentos e exames. O médico que pensa clinicamente tem mais chance de garantir diagnósticos corretos e tratamentos adequados.
Não há como falar do exercício da Medicina sem uma menção ao cuidado integral, que envolve o bem-estar do indivíduo como um todo. Esse cuidar começa desde o agendamento, passando pela consulta até o pós-atendimento. A tecnologia, se bem empregada, não vai contra a humanização. Ela pode ser uma grande aliada.
O mais importante é que a relação entre médico e paciente não seja meramente informativa. É necessário que se crie uma troca empática e bidirecional. Isso depende do olho no olho. A Medicina é feita por humanos para humanos. A assistência de qualidade, sensível e acolhedora, é um direito de todos nós.
O autor é diretor-presidente da Unimed Vitória