Gutman Uchôa de Mendonça*
Em recente reunião com empresários, o deputado federal Amaro Neto, o mais votado para o Congresso no Espírito Santo, questionado por que não se candidatar a governador, com grandes possibilidades eleitorais, declarou que, nas próximas eleições, será candidato ao Executivo estadual, e está trabalhando com esse objetivo, sob o argumento de que sua preocupação é com o desenvolvimento econômico e social do Estado.
Pode parecer que o deputado Amaro Neto esteja apressado, definindo sua candidatura com cerca de três anos e meio de antecedência, mas é precioso que alguém comece a se preocupar e a se inteirar em como arquitetar o desenvolvimento do Estado.
Em seus programas de TV, o moço é alegre, mas nas reuniões mostra-se um homem bastante preocupado com a situação do Brasil e, particularmente, do Espírito Santo, onde ninguém tem ideia definida do que fazer. Isso revela que existe uma tremenda falta de planejamento, ninguém está pensando em viabilidades econômicas, descentralização ou trânsito emperrado pelos erros cometidos nos projetos para a mobilidade urbana, por exemplo.
Ficamos nessa mesmice de passarmos meia dúzia de anos pensando em como entregar ao uso uma avenida como a Leitão da Silva, numa precariedade de planejamento que chega ser ridículo.
Quando deixou a sala de reuniões, um interlocutor perguntou se aquele deputado não era o moço da TV, que praticava uma série de brincadeiras, mas que falava profundamente sério nas dificuldades do Estado. Ao confirmar o que pensava, o interlocutor respondeu que acabou de ouvir tudo aquilo o que esperava de uma autoridade pública, a favor do Estado e do país, ressaltando até a importância da reforma da Previdência.
Tivemos nas últimas eleições a mudança de mais de 50% da composição política da Câmara e do Senado. Não se pode desejar que as coisas mudem de uma hora para outra, mas parece que elas estão caminhando bem. Há quem esteja firmemente empenhado num processo de mudanças do Espírito Santo, de largarmos para trás as velhas lideranças.
Como as perspectivas de desenvolvimento econômico do Estado são ruins atualmente, fica difícil admitir-se o interesse da classe política a favor do bem comum. Nos próximos meses, vamos ver como caminham as mudanças.
*O autor é jornalista