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Artigo de Opinião

Internacional

Especialistas e embaixador do ES analisam crise na Venezuela

Entre os alertas dos estudiosos de Relações Internacionais e do diplomata está a necessidade de o Brasil liderar negociações com país vizinho

Publicado em 22 de Fevereiro de 2019 às 16:25

Publicado em 

22 fev 2019 às 16:25
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, fechou a fronteira do país com o Brasil Crédito: José Cruz/Agência Brasil
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fechou a fronteira do país com o Brasil na noite de quinta-feira (21), dois dias antes da data marcada pela oposição para a entrada da ajuda internacional no país. O Brasil, por sua vez, confirmou que vai enviar ajuda ao país vizinho, mas sem ultrapassar a fronteira.
A tensão política cresce no país sul-americano, onde os líderes da oposição ao governo de Maduro prometem receber a partir de sábado (23) os primeiros carregamentos de ajuda internacional solicitados pelo presidente da Assembleia Nacional, autoproclamado presidente, Juan Guaidó. Ainda não está claro como acontecerá a prometida entrega de suprimentos necessários à população venezuelana, que enfrenta uma crise de escassez de alimentos e remédios, provocada pela falta de divisas e pela hiperinflação.
Especialistas ouvidos pelo Gazeta Online alertam para a crise humanitária e a necessidade de o Brasil liderar uma negociação com o país vizinho. O diálogo, apontam, seria o melhor caminho, em vez de um confronto militar. A diplomacia pode evitar, inclusive, reflexos negativos para o Brasil, como o desabastecimento de energia, já que a energia de Roraima vem da Venezuela e o governo Maduro poderia retaliar.
Confira as análises:
REAÇÃO AGRAVA O PROBLEMA
Rafael Simões*
Do ponto de vista geral, o problema é a escalada de pequenas tensões, discursos de uma parte a outra e agora medidas concretas. O fechamento impede aquela população que quer deixar a Venezuela por causa de seus problemas socioeconômicos de vir para o Brasil e coloca em risco a vida dessas pessoas. Isso é mais problemático ainda se pensarmos nas pessoas e grupos mais vulneráveis como crianças e idosos.
Outra possibilidade é o desabastecimento de energia, já que a energia de Roraima vem da Venezuela e o governo Maduro poderia retaliar. A reação à ajuda humanitária, que seria para resolver o problema o acaba agravando. Em respeito à população venezuelana, vale a pena o Brasil retroceder, negociar para que a fronteira fique aberta e daí essas pessoas receberem a ajuda aqui.
 
* O autor é professor de Relações Internacionais da UVV
MELHOR FORMA É O DIÁLOGO
Clayton Pegoraro*
O fechamento da fronteira é uma atitude extrema, mas o país tem soberania para fazê-lo. O próprio Maduro já fez isso. Mas existem outros meios de fazer chegar essa ajuda. Maduro pode recusar porque ele é o governante de fato, foi ele quem foi eleito pela população e tem do lado dele as Forças Armadas. A melhor forma é sempre o diálogo.
Uma intervenção militar, seja dos EUA, seja de outros países é inaceitável e ainda mais na fragilizada Venezuela. O Brasil tem que ter um papel de equilíbrio. Não pode incitar atitudes que vão piorar a situação. Seguir o discurso de Trump é arriscado. É preciso deixar a Venezuela procurar a melhor saída internamente. Por outro lado, ajuda humanitária é importante. A ajuda é sempre bem vista pela comunidade internacional.
* O autor é especialista em Direito Internacional e professor da Universidade Mackenzie
BRASIL PRECISA LIDERAR
José Vicente Pimentel*
O fechamento da fronteira da Venezuela com o Brasil é o fechamento do bom senso, a marcha da insensatez. Diante de situações como essa, há sempre aqueles que afirmam que acabou o tempo da diplomacia e que agora é hora de partir para as vias de fato. Mas, a meu ver, nada além da diplomacia faz sentido numa crise entre o Brasil e um país vizinho.
Líder necessário da região, o Brasil precisa capitanear um esforço de promoção do entendimento e da busca de fórmulas de fomento do diálogo entre as partes. A diplomacia brasileira se destaca pela capacidade de promover consensos e essa vocação não deveria ser menosprezada num momento tão grave como esse de crise no nosso vizinho.
* O autor é embaixador aposentado 
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