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Marcilio R. Machado

Artigo de Opinião

Presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado (Sindiex)
Renovação

Eleições: líderes tóxicos precisam ser desafiados

Ser humano tem necessidade de liderança. Isso faz com que seguidores, mesmo que confrontados com comportamentos perniciosos, encontrem desculpas para apoiar seus líderes
Marcilio R. Machado
Presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado (Sindiex)

Publicado em 03 de Julho de 2018 às 23:36

Publicado em 

03 jul 2018 às 23:36
Hugo Chávez, que arruinou a Venezuela, continua a ter admiradores Crédito: Reprodução/Web
Em tempo de eleições, uma pergunta me intriga: por que as pessoas seguem políticos corruptos? No Brasil, temos o exemplo do ex-presidente Lula que, condenado a 12 anos de prisão, ainda tem seguidores. Uma excelente análise desse tema foi feita pela pesquisadora Jean Lipman-Blumen, que afirma que liderança é uma relação entre líderes e seus seguidores. Ela argumenta que Hitler só avançou porque teve o suporte de milhões de eleitores alemães, trabalhadores e soldados. Não há líderes sem seguidores.
O criador do mercado de “títulos podres” na década de 90, Michael Milken, condenado por fraude criminosa nos Estados Unidos, continuou tendo o suporte de seus empregados. Essa história sobre maus líderes se replica em diferentes partes do mundo. O ex-líder soviético Stálin, cuja repressão causou a morte de cerca de 20 milhões de pessoas, e o ex-presidente Chávez, que arruinou a Venezuela, continuam tendo admiradores.
A pesquisadora nos ajuda a entender líderes tóxicos, que são caracterizados por traços e comportamentos, tais como: falta de integridade e honestidade; ambição por glória, colocando-se acima do bem-estar dos outros; arrogância, ao promover corrupção; intimidação e desmoralização dos outros; violação dos direitos básicos dos oponentes, asfixiando críticas; fome de poder, enfraquecendo sucessores.
Blumen ressalta que o ser humano tem grande necessidade de liderança. Isso faz com que os seguidores, mesmo que confrontados com comportamentos perniciosos de seus líderes, encontrem desculpas para apoiá-los. A espoliação da Petrobras, por exemplo, tem pouca ou nenhuma relevância para os seguidores dos líderes que foram responsáveis pelos problemas de corrupção.
Entretanto, a autora apresenta uma estratégia de ações que pode ajudar a nos livrarmos desses líderes: Não ter medo de desafiar um líder tóxico. Isso está sendo realizado no Brasil, através do trabalho da Polícia Federal, Ministério Público e juízes. Usar democracia para fomentar bons líderes. Procurar líderes que tenham a coragem de abraçar a realidade ao invés de esconder os desafios. Estar pronto para ambicionar o melhor mesmo que não haja segurança que seja o vencedor. E, finalmente, preparar uma nova geração de líderes que possam enxergar liderança como um trabalho e não um privilégio.
As eleições estão chegando e teremos uma grande chance de eliminar lideranças tóxicas. Teremos, então, uma oportunidade de renovar a crença num futuro melhor. Não podemos desperdiçá-la escolhendo líderes ruins.
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