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Artigo de Opinião

Memória

Dom Silvestre deixa seu legado enquanto caminha na eternidade

A morte de Dom Silvestre fecha um ciclo na Arquidiocese de Vitória e na história do Estado

Públicado em 

21 fev 2019 às 18:21
Dom Silvestre, arcebispo emérito da Arquidiocese de Vitória entre 1984 e 2004
Kelder José Brandão Figueira*
Hoje, com a missa de sétimo dia, completa-se o ciclo da vida terrena de Dom Silvestre, homem de mãos grandes e fortes, espírito ecumênico e coragem infinita, sobre quem todos têm muito a dizer, mas será a história a melhor testemunha de quem é e de tudo que fez esse grande homem que conduziu a Arquidiocese de Vitória por duas décadas.
Após se tornar emérito, Dom Silvestre disse: “procurei ser pastor, profeta, e agora quero me dedicar inteiramente à caridade”. Quem conviveu com Dom Silvestre, sabe que ele viveu isso intensamente.
Como pastor, ele introduziu a Arquidiocese no terceiro milênio, enfrentando os desafios de uma era em profundas mudanças estruturais, internas e externas, fortalecendo a identidade da Igreja capixaba ao definir como opções fundamentais da Arquidiocese as Comunidades Eclesiais de Base e os pobres.
Fortaleceu o Ecumenismo com as Igrejas protestantes históricas e o ensino inter-religioso nas escolas públicas, condenando o proselitismo. Valorizou o protagonismo dos leigos e das mulheres e zelou pela formação do clero. Perscrutando as moções do Espírito, apoiou as Comunidades de Vida Consagrada, como a comunidade Epifania, para atender crianças portadoras de HIV.
Como profeta, insurgiu-se contra as injustiças e desmandos políticos. Suas homilias denunciavam as desigualdades sociais e agruras do povo. Em 1995, criou o Grito dos Excluídos e sempre descia do palanque oficial para acompanhar o povo nas manifestações.
Em 1999, após conduzir um plebiscito popular no Estado, junto com a Ordem dos Advogados, o Conselho de Igrejas Cristãs e os Movimentos Sociais, fundou o Fórum Reage Espírito, que é uma marca indelével de seu profetismo, incidindo diretamente na transformação da política institucional do Estado.
Como o bom samaritano, conhecia de perto as dores dos enfermos e os corredores e leitos dos hospitais públicos. Às Sextas-feiras Santas, costumava ir às periferias para visitar os pobres e enfermos. Apoiava incondicionalmente as Pastorais Sociais, e visitava os encarcerados. Cobrava a presença do governador nos presídios, dizendo-lhe que “os olhos precisam ver para o coração sentir”.
A morte de Dom Silvestre fecha um ciclo na Arquidiocese de Vitória e na História do Estado, e outro se inicia tanto para nós, que herdamos o seu legado, quanto para ele que, após cumprir sua missão, caminha pelos campos da eternidade.
*O autor é padre da Arquidiocese de Vitória
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